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ALL define prioridades em meio a novo cenário

Depois de duas trocas de presidente em menos de três anos, a América Latina Logística (ALL) indicou Alexandre Santoro para o comando em um dos momentos mais conturbados da história da empresa. Após as ações sofrerem na bolsa, pelo temor de investidores com a possível entrada da Cosan no controle, o executivo, com 11 anos de trabalho na casa, agora tem como desafio problemas operacionais nas ferrovias e a preparação de seu futuro em meio à completa remodelação no setor. Em entrevista ao Valor, Santoro diz que seu foco é o término dos investimentos atuais e a consolidação da ALL como uma empresa de logística integrada, com entrada em negócios como o setor portuário.


Formado em Ciência da Computação e pós-graduação em Administração, ele diz que a companhia estuda de maneira firme participar de licitações de terminais portuários que estão previstas em novos leilões do governo federal. O foco são portos em que a companhia tem presença atual – são eles Santos, Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS).


A tendência é formar parcerias e por isso não necessariamente tenha que desembolsar capital. “Ferrovia e porto andam juntos e fazem um sentido enorme para a gente. Estamos estudando”, afirmou o executivo. A empresa já é sócia em dois terminais em Santos: o TGG e o Terminal 39. “Tudo que tiver a ver com nosso negócio, vamos avaliar”, disse o executivo, que foi tirado da Vetria, projeto de mineração de ferro controlado pela ALL, no início de junho. Antes, teve passagens na AmBev e Danone.


Além de negócios na área portuária, Santoro revela o plano de novo projeto no Sul do país, nos moldes do megaterminal ferroviário de Rondonópolis (MT) – resultado da expansão de 260 km da antiga Ferronorte e que teve investimentos de R$ 730 milhões, com inauguração na sexta-feira. A ALL disse acreditar que será um dos maiores complexos da América do Sul, com cerca de 20 empresas com armazéns para grãos, fábricas e terminais de combustíveis e contêineres. Ao todo, vai ter capacidade para movimentar até 18 milhões de toneladas por ano.

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Disputar o setor portuário pode evitar problemas que diz ter enfrentado com frequência. Neste ano, com safra recorde no campo, a companhia registrou queda de volume transportado ao fim do segundo trimestre (ante um ano antes), influenciada justamente por problemas em terminais. “Em um ano de [boa] safra a gente não cresceu, é um fato”, resume Santoro.
Os terminais usados passaram por greves, reformas e até incêndio. Com isso, os volume de commodities agrícolas cresceram só 0,4% contra um ano antes. Em produtos industriais, o resultado foi pior: caiu 2,3% na comparação. “O sistema Santos colapsou no trimestre. Isso reforça a necessidade de estar bem posicionado lá”.


Além disso, a ALL tem baixa capacidade ferroviária em parte de seus trechos, o que limita o atendimento a clientes. No Estado de São Paulo, não consegue atender adequadamente clientes do ramo de açúcar, como a Cosan e, por isso, vem pagando multas às empresas. A questão seria solucionada com a conclusão da duplicação da ferrovia que leva a Santos. Mas o trecho ainda depende de uma licença ambiental em dois pontos que somam 80 km e que cruzam áreas indígenas. “Nosso grande foco é finalizar essa duplicação. A previsão é terminar até o fim de 2014”, disse. Até lá, a ALL continua negociando alternativas com seus clientes e pagando as multas dos contratos.


Enquanto busca equação para os novos investimentos, a companhia lida com aquela que é uma das maiores preocupações de analistas sobre a ALL: o fluxo de caixa negativo. Com o fim dos investimentos em Mato Grosso, a ALL poderia enfim dar um ponto de virada nesse item. Mas isso não aconteceu. Ao fim do ano passado, o fluxo de caixa livre havia ficado negativo em R$ 232,9 milhões. Ao fim do primeiro semestre, foi negativo em R$ 300,5 milhões. “Contávamos com algumas coisas que não aconteceram. Parte foi [o atraso em] Rondonópolis e parte a [não] duplicação em São Paulo”, defende Santoro, que espera uma reversão na virada deste ano. “Nos próximos anos, é totalmente factível”.


Em meio a essas questões, o mercado tenta fazer as contas sobre se vale a pena investir na ALL também tendo em vista o prazo final das concessões – cada vez mais próximo. Das quatro concessões, três vencem na próxima década. No caso da ALL Malha Oeste (MS/MT), o prazo vence em 2026. Na ALL Malha Sul (SP, PR, SC e RS), em 2027. Na ALL Malha Paulista (SP), em 2028. Santoro diz estar confiante na renovação dos contratos por mais 30 anos. “A gente é otimista em conseguir renovar. Mas nossos planos são independentes disso”.
A empresa nega que tenha de fazer uma injeção de capital, fato que teria sido um dos fatores do fracasso da entrada da Cosan na estrutura da empresa. A Cosan via necessidade de recursos para dar suporte a novos investimentos da empresa. Santoro informa que a situação financeira da ALL é confortável, com relação dívida líquida/Ebitda de 2,31 vezes. “O perfil é de uma dívida barata e de longo prazo, a maior parte com BNDES e debêntures. Nada pesado nos próximos quatro anos”.


A criação das subsidiárias de logística por rodovias e da entrada no setor portuário são demonstrações de como a ALL está se posicionando, focando em logística integrada – não somente nas malhas de ferro. “A ALL não nasceu com as concessões de ferrovia. Ela incorporou”. No novo modelo de malhas de ferro elaboradas pelo governo, a companhia não tem interesse em ser uma concessionária (essa seria uma atividade mais voltado às construtoras). Mesmo assim, tem interesse em ser transportadora nos novos trechos. E está tranquilo em relação ao temor do mercado de que os novos trechos “roubem” suas cargas. “Hoje eu não consigo atender a demanda, então é bom o país ter alternativas. Temos carga para ficar com o cabelo mais branco do que já está”.


Companhia ainda negocia devolução de ferrovias à União


A ALL ainda negocia com o governo federal a devolução de dois trechos de sua malha ferroviária no país, os quais serão levados a novas licitações – conforme as novas diretrizes definidas para o setor em 2012. O objetivo do governo é acabar com o monopólio nos trechos e ampliar o número de operadores. Para isso, decidiu retomar alguns trechos de ALL, MRS Logística e Vale, arrematados por essas empresas em leilões de 1996 e 1997 e que avaliou, em alguns casos, com baixa utilização atualmente.


O presidente da ALL, Alexandre Santoro, informa que as conversas estão indo bem com o governo, mas evitou falar em detalhes do acerto. As negociações estão mais avançadas em relação ao trecho Sul – que vai do interior de São Paulo a Porto Alegre, numa extensão de 1,5 mil km, passando pelo porto de Rio Grande. Em entrevista recente ao Valor, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse que já havia um acordo.


Conforme apurou o Valor, a ALL negocia direito de passagem para os trens da ALL, bem como garantia de fluxo durante as obras do novo concessionário. Além disso, a empresa busca outras compensações. Santoro evitou dar informações sobre as contrapartidas – se seria financeiras ou de alongamento do prazo de outras concessões.


Outra frente de discussão com o governo – considerada por fontes do setor como a mais complicada -, abrange o trecho entre Campinas e o porto de Santos. Nesse ponto, a ALL trafega cerca de um quarto da carga que transporta por ano, levando grãos, como soja e milho do Centro-Oeste. “As conversas, nessa parte, estão menos adiantadas, mas estão indo bem”.


Segundo informações já dadas pela ALL a seus investidores, a empresa teria alocado ali pelo menos R$ 3 bilhões. E há, no momento, uma duplicação em curso que envolve uma parceria com a Rumo Logística, do grupo Cosan. O governo terá de fechar acordo semelhante sobre o acesso a Santos pelo lado Norte, operado pela MRS.


Sobre as concessões na Argentina, que foram canceladas pelo governo Kirch

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