O Bradesco anunciou a captação do primeiro fundo para investir em títulos de dívida, como debêntures, voltados a financiar projetos de infraestrutura. Desde 2011, com a edição da Lei nº 12.431, a aplicação nesses papéis conta com isenção de imposto de renda, mas até o momento nenhum fundo havia saído do papel. O benefício se estende aos fundos, desde que pelo menos 85% do patrimônio seja alocado em debêntures incentivadas.
O valor captado não foi revelado pelo banco, mas o Valor apurou que o objetivo inicial da instituição era levantar entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões. O produto é voltado a clientes de altíssima renda, do chamado segmento “private”, e possui aplicação mínima de R$ 1 milhão.
O fundo terá prazo de 15 anos. Durante esse período, ficará fechado para resgates. “Tivemos uma resposta muito positiva dos investidores, o que sinaliza o apetite do mercado de capitais para financiar os projetos de infraestrutura no país”, afirma Joaquim Levy, diretor superintendente da área de gestão de fundos do Bradesco.
O fundo nasce com pelo menos três debêntures na carteira, segundo o executivo. Ele não revela quais são os papéis, mas diz que são de projetos nas áreas de logística e energia. O objetivo é ampliar a captação no futuro a investidores de menor renda, mas para isso ainda são necessários ajustes na regulação, segundo Levy.
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Apesar do benefício fiscal previsto em lei, as debêntures de infraestrutura ainda não engrenaram. A expectativa era de uma grande entrada de recursos externos, mas a volatilidade do câmbio e dos juros, aliada à decisão do governo de estender a todos os títulos de renda fixa, incluindo os do próprio governo, a isenção do imposto sobre operações financeiras (IOF), azedou o humor dos investidores estrangeiros.
Na avaliação de banqueiros e especialistas, uma forma de atrair recursos para as debêntures de infraestrutura seria via fundos, que contam com a vantagem da diversificação e da especialização dos gestores. Para superar o entrave da falta de liquidez para honrar com possíveis pedidos de resgate, uma das propostas em estudo é a criação de fundos de investimento em debêntures com cotas negociadas em bolsa.
O primeiro fundo do tipo já está com pedido de registro em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O Banco do Brasil e o Banco Votorantim pretendem captar R$ 300 milhões em um fundo de recebíveis de crédito, também conhecido pela sigla Fidc, cuja carteira será composta por debêntures de infraestrutura e terá negociação na BM&FBovespa.
Além do veículo mais apropriado para o investimento, o crescimento do mercado dependerá também da oferta de papéis, segundo o executivo do Bradesco. A expectativa de Levy é que algumas das emissoras venham do novo programa de concessões do governo federal.
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