O diretor de Relações com Investidores da América Latina Logística (ALL), Rodrigo Campos, disse que a aquisição de ações da empresa pela Cosan criaria conflito de interesses entre as companhias. A Cosan é cliente da ALL. De acordo com Campos, o que pesou para o negócio não ser fechado foi a governança.
“Obviamente, pelo fato de a Cosan ser cliente da companhia, esse papel de cliente e acionista sempre gera um conflito. Era preciso ter uma estrutura de governança que isolasse e protegesse os interesses da companhia”, afirmou ele, em reunião da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Rio (Apimec-Rio). “Para que esse acordo acontecesse, era preciso a concordância do grupo de acionistas. Apenas dois concordaram. Isso passa por questões de governança. Acho que a governança foi o que pesou.”
O interesse da Cosan na ALL foi anunciado em fevereiro do ano passado, em uma operação de quase R$ 900 milhões que envolvia a aquisição de 49,1% das ações representativas do bloco de controle, o correspondente a 5,6% do capital total da empresa de logística. Originalmente, a Cosan compraria ações pertencentes aos empresários Wilson De Lara e Ricardo Arduini e de sua esposa, Júlia Dora Arduini. Entre o grupo de acionistas da ALL, há também os fundos de pensão Previ e Funcef, e o BNDES, entre outros. O Valor informou anteriormente que esses sócios reivindicaram vender fatia de suas participações.
Campos disse que não participou das negociações entre a Cosan e acionistas da empresa, mas afirmou que as conversas se restringiram à esfera societária. “Não foi uma negociação da ALL, mas entre acionistas da companhia e a Cosan. Foi uma negociação puramente societária, não havia nenhuma sinergia prevista entre Cosan e ALL”, afirmou.
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A respeito do interesse do Planalto em reaver trechos da malha ferroviária da ALL — de Mairinque (SP) a Porto Alegre (RS) e o acesso ferroviário ao porto de Santos (SP) —, o executivo afirmou que a empresa conversa com o governo. No novo modelo de concessões de ferrovias desenhado pelo governo, ele disse que, em princípio, a ALL tem o interesse de ser apenas operadora de transportes.
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