O momento é de reuniões e conversas entre representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e investidores. Os grupos interessados no trem-bala Rio-São Paulo-Campinas consideram que o governo ainda não tem um modelo fechado para a nova licitação, e todos os pontos, portanto, são possíveis de revisão. “É uma boa ideia, mas ainda com um modelo a ser construído”, diz Guilherme Quintella, presidente da Ad-trem, entidade que reúne as empresas de tecnologia em trem de alta velocidade (TAV), sobre o leilão da obra em duas etapas.
Para ele, o problema que levou à licitação vazia do TAV ainda não está resolvido. “O governo não indica que vai colocar mais recursos. E se a conta não fechar, não vai ter licitação de novo”, diz
A divisão de participação da empresa pública Etav nos dois consórcios, por sua vez, é justa, na opinião do executivo. “É uma divisão equilibrada. Mas e o resto? Vai faltar dinheiro e o governo precisa explicar de onde ele virá”, diz ele.
Deixar apenas para o consórcio construtor a exploração do comércio e de serviços nas estações, além dos investimentos imobiliários na área do trem, promete ser um ponto polêmico. Isso porque a maioria das concessões de serviço inclui a exploração de recursos extras pelas operadoras. O custo mais pesados do investimento, porém, ficará com o segundo consórcio, o que justifica o governo deixar mais fontes de receitas com ele.
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A destinação do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o consórcio construtor foi bem avaliada pela Ad-trem. “Buscar um financiamento externo é mais fácil para o primeiro consórcio”, diz Quintella.
Segundo ele, as dúvidas sobre necessidade de financiamento só devem ser totalmente sanadas com o projeto executivo em mãos. De acordo com o acompanhamento da Ad-trem, 6% foi o máximo de variação que o custo de um trem-bala teve em relação ao indicado no projeto executivo.
Com a realização de um novo leilão, cuja primeira data está prevista para outubro, a expectativa é que apenas uma parte do trem-bala fique pronta até 2016, ano em que inicialmente era esperada a entrega de toda a obra. “É melhor privilegiar um bom modelo do que o tempo”, avalia Quintella.
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