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Expansão conta com incentivos e visão ampla

O Rio Grande do Sul tem suas vantagens competitivas para retomar o crescimento: uma base industrial diversificada, na qual companhias de setores tradicionais, como o siderúrgico, convivem com as de novos segmentos, como petróleo e gás. Além disso, algumas das multinacionais brasileiras e muitas empresas de grande porte originadas ali alimentam cadeias produtivas importantes e geram milhares de pequenos e médios negócios.


Terceiro colocado no ranking das maiores companhias gaúchas pelo “Valor 1000”, o grupo Randon transformou-se, ao longo de seus 64 anos de existência, de uma pequena oficina de conserto de motores em Caxias do Sul em uma das maiores multinacionais brasileiras, com dez empresas, e 16 unidades fabris no Brasil, Argentina, Estados Unidos e China, que, juntas, empregam 11.500 pessoas. “Com atuação na cadeia de veículos comerciais, somos líderes na fabricação de veículos rodoviários, caminhões fora de estrada e vagões ferroviários”, afirma o diretor corporativo e de relações com os investidores da holding, Astor Schmitt.
 
Sempre foi meta do grupo conquistar mercados fora do país. Já no fim de década de 1970, a Randon negociava com países da América Latina, da África e da América do Norte. Num segundo momento, o grupo partiu para a montagem de seus veículos em outros países, a partir da bem-sucedida experiência com a Argentina. “Em função do grande protecionismo, percebemos que quem não estivesse presente em determinados locais estava fora do jogo”, relembra Schmitt. A estratégia, acelerada pela globalização, também é uma forma de ter acesso a incentivos locais e deverá ser incrementada nos próximos anos.
 
Apesar da internacionalização, a presença da Randon ainda é marcante no Rio Grande do Sul, onde estão instaladas sete das 16 fábricas do grupo e 10 mil dos 11.500 postos de trabalho. Até 2016, o Estado receberá R$ 1 bilhão dos R$ 2,5 bilhões constantes do programa de investimentos anunciado no ano passado. Os recursos serão usados na expansão orgânica das operações locais. Como contrapartida, o grupo terá direito a receber incentivos fiscais do governo gaúcho. No ano passado, o grupo adquiriu a Fras-le, de São Leopoldo, e a Follo, de Chapecó.
 
Maior empresa do Rio Grande do Sul, com uma receita líquida consolidada de R$ 35,4 bilhões, a Gerdau é outra multinacional originada no Estado. O primeiro passo no caminho da internacionalização ocorreu com a compra da Laisa, no Uruguai, em 1980. A esse movimento seguiu-se a aquisição da Courtice Steel, de Ontário (Canadá), em 1989. Nos anos seguintes, a ampliação dos negócios fora do país resultou na entrada nos mercados da empresa em 14 países das Américas, Europa e Ásia, nos quais tem cerca de 45 mil colaboradores.
 
Sua trajetória teve início com uma fábrica de pregos em Porto Alegre, em 1901. Para garantir a matéria-prima para a produção, a empresa comprou, em 1948, a Usina Riograndense e entrou no setor siderúrgico, transformando-se na líder no segmento de aços longos das Américas e uma das principais fornecedoras de aços longos especiais do mundo. Atualmente, a Gerdau possui no Estado duas usinas produtoras de aço (Charqueadas e Sapucaia do Sul), uma unidade de corte e dobra de aço, um centro de serviço de aços planos e sete unidades Comercial Gerdau.
 
No ano passado, o grupo anunciou um investimento de R$ 460 milhões em uma usina de produção de aço no parque industrial de Sapucaí do Sul, região metropolitana de Porto Alegre, com capacidade de 650 mil toneladas de aço por ano. A aciaria vai substituir a atual, que produz 450 mil toneladas por ano. As obras devem começar neste ano e ser concluídas no segundo semestre de 2015. Os recursos possibilitarão ganhos na produtividade, segurança operacional, além da redução do consumo de energia.O empreendimento será beneficiado pelo Fundo Operação Empresa do Estado do Rio Grande do Sul (Fundopem), o programa de incentivos do governo do Estado que prevê redução no Imposto sobre Mercadorias e Serviços (ICMS).
 
Se as multinacionais continuam firmes na conquista de mercados no exterior, a Lojas Colombo percorre o caminho inverso e, no ano passado, anunciou a decisão de concentrar suas operações nos Estados da região Sul. A rede nasceu em novembro de 1959, em Farroupilha. A expansão começou um ano depois, com a inauguração da primeira emissora de televisão do Rio Grande do Sul. Para realizar o sonho dos consumidores de comprar um aparelho de TV, a empresa passou a comercializá-los por meio de consórcios. Desde então, passou por um processo contínuo de crescimento e chegou a 325 lojas distribuídas pelos três Estados, além de São Paulo e sul de Minas Gerais. A expectativa é de a rede ter fechado 2012 com um faturamento de R$ 1,5 bilhão. Se a estimativa se concretizar, o resultado será 8,7% superior ao de 2011.
 
As 151 lojas gaúchas respondem por 50% das vendas da rede. Já na operação de e-commerce, que tem 20% do faturamento, São Paulo ganha disparado, com 22% do volume. Em novembro de 2012, a Lojas Colombo anunciou a venda das 65 filiais instaladas em São Paulo e no sul de Minas Gerais, que passarão a ser controladas pela Cybelar, operação que ainda depende do sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica. “A decisão de venda faz parte da estratégia de concentrar e fortalecer as operações nos três Estados da região Sul, nos quais é líder de vendas”, diz César Siqueira Anderson, diretor de vendas e marketing da empresa. A operação da loja virtual continuará sob controle da Lojas Colombo em todo o Brasil.
 
No 19º lugar do ranking das maiores empresas gaúchas do “Valor 1000”, a Colombo espera ter fechado receita de R$ 1,5 bilhão no ano passado, 8,7% maior que em 2011. Para este ano planeja investir R$ 15,2 milhões na abertura e revitalização de lojas, logística e TI.

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