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Vale quer contratos mais flexíveis para minério

A Vale quer aproveitar o atual patamar dos preços do minério de ferro no mercado à vista (spot) para criar uma forma de flexibilizar os contratos de fornecimento do produto.


Em teleconferência com analistas realizada hoje, o diretor de ferrosos da mineradora, José Carlos Martins, afirmou que a companhia não tem “dogmas” e que a recente crise global mostrou a necessidade de alternativas para a venda da produção.


“A crise nos ensinou que temos que ser mais flexíveis na nossa política e que temos que ter todas as janelas abertas para usar de acordo com o momento do mercado”, frisou Martins.


Até a crise global que derrubou a demanda mundial por minério de ferro, as vendas da Vale eram baseadas no tripé contratos de longo prazo, vendas FOB (com entrega no porto) e preços baseados no sistema benchmark, que define o preço por um ano, após negociações entre mineradoras e siderúrgicas.

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Martins explicou que, com a turbulência, os clientes simplesmente deixaram de enviar navios para os portos de abastecimento por falta de demanda, o que levou a Vale a parar a produção de diversas minas por incapacidade de escoar o minério.


Desde então, a empresa apostou na criação de uma frota de navios e hoje atua tanto no spot, quanto no benchmark. Martins lembrou que hoje o mercado à vista responde por cerca de metade do comércio transoceânico de minério de ferro, o que, no caso chinês, chega a 70%.


Com isso, a Vale mantém o apoio ao benchmark, mas defende a adoção de contratos mais flexíveis, de forma a evitar um descolamento significativo em relação ao spot.


“Acreditamos que não pode ser mantida uma diferença tão grande em relação ao spot. Nossa visão é que, se os nossos clientes querem manter o benchmark, eles têm que aceitar um nível mais próximo ao spot atual e com algumas mudanças que mantenham um nível de flexibilidade no sistema de preços, porque não podemos conviver com diferenças como essa”, ressaltou Martins.


Ele lembrou que as grandes diferenças entre os sistemas de preços levam a casos de arbitragem, com compras baseadas no benchmark para posteriores revendas no spot.


Segundo ele, o minério na China chega a ser vendido a US$ 130 por tonelada. O objetivo da companhia neste momento é, segundo Martins, estar preparada para embarcar todo o minério produzido, seja no sistema tradicional, seja no carregamento da frota da Vale para colocação no mercado à vista da Ásia.


“Nossos clientes terão que considerar um sistema de preços diferente. Não é possível chegar a um acordo baseado num preço fixo por um ano”, disse Martins.

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Fonte: NetMarinha

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