A SuperVia ainda não foi notificada da decisão da 6ª Vara Empresarial que a obriga a operar somente trens em perfeitas condições. A ordem foi dada pela juíza Maria Isabel Gonçalves na quinta-feira passada. Ontem, um oficial de Justiça deixou o Tribunal de Justiça para intimar a concessionária, mas, até o fim da noite, não havia conseguido entregar a determinação judicial, que, entre outras coisas, obriga a concessionária a consertar as composições em 48 horas em caso de defeito.
Pela manhã, a SuperVia admitiu ontem não ter informado à Agência Reguladora de Transportes que retirou os comandos de abertura das portas dos vagões dos trens para que os passageiros não as abrissem mais. Segundo a concessionária, esse seria o motivo para 80% dos atrasos verificados nas viagens. No último dia 7, uma composição foi depredada em Nilópolis após ter enguiçado nos trilhos. Revoltados por estarem presos nos trens e sem informações, usuários desencadearam episódios de fúria e revolta em quatro estações.
A revelação foi feita durante uma vistoria ao centro de manutenção da empresa, em Deodoro. A inspeção foi realizada a pedido dos deputados Gilberto Palmares (PT) e Paulo Ramos (PDT), da comissão de trabalho da Assembleia Legislativa, junto com o secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, e o presidente do Conselho Regional de Engenharia (Crea), Agostinho Guerreiro. Segundo Gilberto Palmares, a SuperVia também alegou que badernas em vagões levariam a panes elétricas.
— A SuperVia disse que considerou irrelevante avisar a Agetransp sobre a retirada do sistema interno de abertura de portas e que as panes elétricas também são provocadas por passageiros que, ao esmurrarem as paredos dos vagões para assustar os maquinistas, desligariam um disjuntor, parando a composição. É impressionante como a culpa é sempre dos outros! — ironizou o deputado.
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Sem garantias
Já o presidente do Crea disse que não teria como aferir a qualidade da manutenção feita pela SuperVia. Agostinho Guerreiro admite a hipótese de vandalismo no incidente da Central do Brasil, no último dia 8, quando um equipamento foi apedrejado, interrompendo o fornecimento de energia aos trens. Entretanto, Guerreiro levanta dúvidas sobre a validade dessa explicação para as demais panes ocorridas ao longo das duas últimas semanas:
— Pelas explicações dadas, eles garantem que fazem a manutenção. Não temos como aferir isso com toda a segurança porque são informações que eles nos passam. Não temos condições de dizer que a manutenção está 100% e nem o contrário. A impressão que fica é a de que é possível a ação de vândalos, mas todos os incidentes, sete ou oito, teriam sido motivados por vândalos? Para isso, há a necessidade de uma investigação mais clara da polícia.
Agestransp na mira da Alerj
O deputado Gilberto Palmares ainda identifica outro problema e aponta para a Agetransp. Para ele, as funções da agência precisam ser rediscutidas. Segundo ele, a Agetransp estaria sendo benevolente demais com a SuperVia. No último dia 9, venceu o mandato dos cinco conselheiros que a compõem. A Agência Reguladora de Transportes — a quem cabe fiscalizar as concessionárias — permanece fora do ar.
O governador Sérgio Cabral enviou uma mensagem à Alerj no dia 28 de setembro solicitando a recondução dos conselheiros Mauricio Agnelli, Francisco José Reis, Luiz Antonio Laranjeira Barbosa e João Carlos da Silveira Loureiro e a indicação do advogado e engenheiro Herval Barros de Souza como quinto membro.
O assunto, porém, ainda não entrou na pauta de votação da Alerj.
— Haverá uma reunião da mesa diretora amanhã e não vou votar a recondução de ninguém. Acho que todos deveriam ser sabatinados de novo diante do que tem aconteceido e pelo que pouco fizeram. Eles têm sido permissivos em excesso com a SuperVia e pouco receptivos com as denúncias dos passageiros. Temos que rediscutir o papel da Agetransp com urgência — disse Palmares.
O novo indicado, Herval Barros de Souza, é um ex-técnico ferroviário e ex-chefe de gabinete da liderança do PC do B na Assembleia Legislativa, cargo que ocupou de 1995 a 2007. À época, o partido tinha como deputado estadual Edmilson Valentim. Desde então, estava lotado na Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento, do Ministério dos Esportes. Em 2006, ele doou R$ 5 mil para a campanha da atual secretária de Cultura do Rio, Jandira Feghali, ao Senado.
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