A Anglo Ferrous, subsidiária brasileira da mineradora britânica Anglo American, estuda ampliar o projeto do sistema Minas-Rio, que atingiria, a partir de 2015, produção de até 80 milhões de toneladas anuais de minério de ferro. Em fase de implementação, o projeto prevê produção de 26,5 milhões de toneladas começando a operar em 2012, mediante investimentos de US$ 3,6 bilhões.
O presidente da companhia, Stephan Weber, disse que a definição sobre a expansão está diretamente ligada às perspectivas futuras do mercado. Segundo ele, as reservas contidas nas minas do sistema garantem a viabilidade da expansão do projeto, de onde seria extraída matéria-prima por pelo menos 50 anos.
´Há um estudo sendo feito para levar a produção do sistema Minas-Rio de 26,5 milhões de toneladas por ano a até 80 milhões de toneladas anuais. Temos recursos minerais suficientes para isso´, afirmou o executivo, depois de fazer palestra na Câmara Britânica de Comércio, no Rio. Weber não estimou o investimento necessário para se atingir a produção desejada.
O Sistema Minas-Rio consiste em um projeto integrado de minério de ferro que prevê uma série de depósitos no Estado de Minas Gerais. A produção será levada por um mineroduto que cortará 32 cidades até o Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, de onde a carga será levada até os mercados consumidores.
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A mineradora já obteve permissão para fazer obras preparatórias do mineroduto, mas ainda busca a licença para começar o projeto de forma efetiva, o que só deverá ocorrer entre março e abril do ano que vem.
Para ter o licenciamento, a Anglo Ferrous, precisa de autorização de pouco mais de 1.200 proprietários de imóveis no caminho previsto para o duto que vai escoar a produção. Segundo Weber, já foi obtida autorização para que o produto passe em 70% das terras fluminense. Em Minas Gerais, a permissão só foi conseguida junto a 20% dos proprietários.
´Temos a licença de instalação do Porto de Açu, e acabamos de aprovar o plano de aproveitamento econômico da mina, e daí já vamos requerer as licenças prévia e de instalação.
Além do Minas-Rio, a Anglo Ferrous desenvolve outros dois projetos no país. O sistema Amapá já opera com produção anualizada em torno de 3 milhões de toneladas. No fim de 2010, atinge 4,5 milhões de toneladas/ano, com a possibilidade de nova ampliação, que elevaria a capacidade para até 6,5 milhões de toneladas/ano.
Os ativos dos sistemas Amapá e Minas-Rio foram comprados, em 2007, pela Anglo American junto à MMX, braço de mineração do grupo EBX, do empresário Eike Batista.
A mina de níquel de Barro Alto (GO) tem início de operação prevista para 2011, com produção de 36 mil toneladas/ano, com investimento total de US$ 1,5 bilhão. Weber salientou que produzir níquel não é foco da Anglo Ferrous, mas que o custo operacional do projeto compensa a aposta.
Esses três projetos no Brasil, aliado ao da mina de cobre de Los Bronces, no Chile, ampliarão a participação da América do Sul nos negócios da Anglo American. O continente será responsável, quando todos estiverem em plena operação, por metade do faturamento da mineradora em todo o mundo.
Weber comentou que a maior parte dessa produção será colocada nos mercados da Europa e do Oriente Médio. A entrada no mercado chinês é vislumbrada pelo executivo, com o fornecimento de minério de ferro para pequenas e médias siderúrgicas.
´Nosso minério é de ótima qualidade, e tem condições de ganhar espaço dos australianos, que tem uma matéria-prima de qualidade inferior´, observou Weber, descartando disputar espaço com a Vale no mercado chinês.
Sobre os planos de expansão da mineradora, Weber não descartou investimentos na aquisição de outros projetos, mas ressaltou que a prioridade é aplicar recursos na expansão dos atuais empreendimentos da companhia, caso haja viabilidade.
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