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Metrô de SP quer desapropriar área tombada

O projeto de expansão da linha 5-lilás do Metrô de SP (Capão Redondo-Largo Treze, que será interligada ao ramal Paulista) prevê a desapropriação de áreas protegidas pelo patrimônio histórico municipal na Chácara Klabin (zona sul).


Pelo plano, áreas residenciais arborizadas do bairro, cuja arquitetura modernista e padrão urbanístico remontam à década de 1940, darão lugar a poços de ventilação do metrô.


Moradores do bairro querem que o Metrô altere o traçado da linha para evitar que ela passe sob duas áreas. Uma delas, na rua Maurício Klabin, é tombada -integra a antiga propriedade do imigrante lituano de mesmo nome que originou o bairro; a outra é protegida, próxima à Casa Modernista, que é tombada. Construída em 1928, a Casa Modernista é considerada a primeira obra de arquitetura moderna no Brasil.


O Departamento de Preservação do Patrimônio Histórico diz que é possível demolir e construir em áreas tombadas e protegidas desde que haja autorização prévia do órgão, mas que ainda não avaliou o projeto.

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O Metrô diz que as obras irão respeitar os limites para locais tombados e áreas envoltórias (a até 300 m do bem tombado) e que “não é possível alterar o traçado da linha, (…) resultado de projetos que têm como condicionantes raios mínimos e o posicionamento da estação Chácara Klabin”, onde já passa a linha 2-verde (Paulista).


Nas duas áreas protegidas, que somam 2.885 m2 (um terço de um campo de futebol) e estão separadas por cerca de 300 m, estão previstos dois dutos de ventilação da linha, entre as estações Santa Cruz e Chácara Klabin, que serão interligadas.


A Amavm (Associação dos Moradores e Amigos de Vila Mariana) propõe que, em vez das áreas protegidas, o Metrô utilize terrenos livres -cita como exemplo uma área a menos de 100 m de distância dos lotes da rua Santa Cruz que, embora esteja no perímetro protegido, é usada como estacionamento.


Alternativa


A proposta prevê substituir os dois poços de ventilação nas áreas protegidas por apenas um, em local intermediário.


Segundo o engenheiro de transportes Jaime Waisman, coautor do estudo de impacto ambiental da obra encomendado pelo Metrô, a distância entre os poços segue padrões internacionais de engenharia.


“É uma obra grande em uma cidade “pronta”. Há lugares que não há como não desapropriar”, diz Waisman. “É a tal história: não dá para fazer um omelete sem quebrar ovos.”


Na área tombada na rua Maurício Klabin existem casas de baixo gabarito (altura) e árvores que, segundo o tombamento em 2004, mantêm “características urbanísticas do loteamento original [década de 40], área verde, solo permeável e traçado [das vias]”.


Na rua Santa Cruz, parte do ambulatório do hospital Santa Cruz será desapropriada.


“Querem trocar áreas arborizadas, de valor histórico e urbanístico, por “áreas mortas'”, diz a arquiteta e urbanista da Amavm Clara Obelenes. “O metrô é necessário, mas queremos um ajuste fino”, diz ela, que apresentou a proposta da associação à prefeitura e ao Metrô. O assunto será debatido em audiência pública no dia 7.

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Fonte: Folha Online

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