Perto de 30 empresas sul-coreanas já se uniram em consórcio para disputar a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará as cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. Mas a Coreia do Sul ainda segue em busca de parceiros brasileiros, entre investidores institucionais, empreiteiras e fundos de capital de risco, informou à Agência Estado o coordenador local para o país asiático do projeto do trem-bala, Paulo Benites.
Para minimizar custos e aquele que é considerado o maior risco do projeto, o de engenharia, o consórcio da Coreia do Sul está bem servido de grandes empresas de construção, como Hyundai, GS, Samsung, Daewoo e SK, dentre outras. Benites, que também preside o Grupo Trends Tecnologia, reconhece a dificuldade de se achar parceiros nacionais neste momento em que não há um desenho final para o edital de licitação. “As empreiteiras se mostram bastante interessadas, mas têm medo de assumir parceiras antes dos detalhes finais da licitação”, observou.
Segundo ele, a impressão é que estas empresas “gostariam mais de participar do projeto como contratadas” pelo concessionário. “Mas provavelmente isso não irá ocorrer, dado o grande valor do projeto (R$ 34,6 bilhões)”, afirmou o executivo. Mesmo com as dificuldades iniciais de se formar alianças com as grandes construtoras brasileiras, Benites acredita que, no final, a participação de empresas locais na construção civil do trem-bala – serviços que representam 70% do custo total do TAV – será superior à das coreanas.
Embora julgue “otimista” a previsão do governo de que 33 milhões de pessoas deverão viajar no trem-bala em 2015, o representante do consórcio coreano acha que é possível reduzir custos de implementação do TAV para melhorar o retorno aos acionistas. “O governo tem se mostrado flexível às sugestões dos concessionários em potencial”, disse, complementando que “a relação entre investimento, demanda e receita está muito próxima de ser viável”, bastando alguns ajustes na implantação do TAV.
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Para melhorar a lucratividade do negócio, o consórcio coreano avalia que se deve priorizar a ligação de longa distância – neste caso, explica Benites, não seria rentável inserir Guarulhos, onde está o Aeroporto Internacional de São Paulo, no traçado do trem-bala. Se a malha ferroviária passar ao sul do Vale do Paraíba, e não ao norte, como prevê o estudo do governo, os coreanos acham que diminuem os empecilhos socioambientais.
A taxa de retorno de 9% prevista para este projeto é vista favoravelmente por Benites. Há, no mercado, quem diga que o porcentual é baixo se comparado com a média de 15% do setor brasileiro de infraestrutura. “Não conheço projetos de mais de R$ 30 bilhões, com prazo de maturação de 40 anos, que rendam 15%. Uma taxa em torno de 10% é um padrão aceitável internacionalmente”, ressaltou o executivo.
Para Benites, considerando que todo o processo de licitação será norteado pela transferência da tecnologia do trem-bala, os concorrentes mais fortes são, além da Coreia do Sul, Japão, França e Alemanha. Para justificar a assertiva, o executivo diz que a Coreia, embora tenha implantado seu TAV com ajuda da francesa Alstom, aprimorou tal tecnologia e lançará, em 2011, um trem com velocidade de 400 km/h. Segundo ele, o país estuda o projeto do trem-bala brasileiro há mais de três anos.
Quanto ao Japão, Benites diz que este país tem colocado o projeto como prioridade, além de ter à disposição muitos mecanismos de financiamento. França e Alemanha, por sua vez, têm como vantagem suas presenças consolidadas no Brasil. De acordo com ele, Espanha e China, que têm sinalizado forte interesse na construção do TAV brasileiro, não completam a qualificação necessária porque lhes faltam o conhecimento para desenvolver a tecnologia do trem-bala. “Estes países devem se juntar ou se aliar a outros grupos”, opinou.
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