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SEI deixa a desejar em Pernambuco

A Região Metropolitana do Recife tem, há 20 anos, um dos mais bem planejados e mais elogiados sistemas integrados de transporte do País, o Sistema Estrutural Integrado (SEI), que responde por 44% dos serviços de transporte público urbano da área que abrange. Sua expansão e consolidação constituíram um dos pilares da campanha política de Eduardo Campos ao governo do Estado. Mas, como acontece freqüentemente entre nós, sua execução não corresponde à boa idéia e à qualidade do projeto. Ainda precisa ser muito melhorado e ocupar realmente a prioridade que lhe foi atribuída. O sistema permite que o usuário utilize mais de um coletivo (incluindo o metrô) pagando um único bilhete. Além disso, liga diversos terminais, incluindo os do trem urbano.


A idéia ficou como que parada no tempo e, nestes dois anos do atual governo, muito pouco foi feito para sua ampliação. Os terminais prometidos para as cidades de Paulista e Cabo de Santo Agostinho estão com as obras atrasadas. Outro terminal projetado, o de Olinda, não passou da fase de estudos preliminares. Nesse ritmo, fica difícil acreditar que o governo consiga, em mais dois anos, fazer o que prometeu em campanha: entregar mais sete terminais integrados até 2010, o que permitiria quase dobrar o número de passageiros hoje atendidos. A burocracia e a desatenção à correção e formalidades de licitações e tomadas de preço são dois tropeços constantes nesses atrasos na execução de obras públicas. Recentemente, a licitação para a construção de terminais integrados com o metrô foi suspensa pela CBTU, depois que o Tribunal de Contas da União apresentou exigências técnicas que não teriam sido cumpridas.


Paradoxalmente, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que proporciona recursos em apoio às obras ligadas ao SEI, está desacelerado nesse caso. Lamentável, pois o alcance social do SEI deveria conferir-lhe prioridade máxima. Trata-se de um grande passo para tirar o transporte de massa, entre nós, do descaso com que é considerado pelos poderes públicos. Diariamente, são mais de 800 mil usuários que o utilizam, na grande maioria pessoas de renda mais baixa que precisam fazer vários deslocamentos por dia, pela natureza de seu trabalho. E, para tanto, pagam apenas uma passagem.


Entre as queixas dos usuários, sobressai aquela referente à falta de número suficiente de ônibus e de horário certo, aliada à má conservação dos veículos, em algumas linhas, o que freqüentemente deixa os passageiros parados em meio ao seu caminho, com risco de perder o ponto no trabalho e outros compromissos. Quem mora, por exemplo, ao longo da PE-27 (mais conhecida como Estrada de Aldeia), em Vera Cruz, Chã de Cruz e adjacências, e quer fazer a integração com o metrô na estação de Camaragibe, dispõe de veículos caindo aos pedaços, sem manutenção nem fiscalização. Aliás, desde que os bondes da Pernambuco Tramways & Power pararam de circular há meio século, a população do Recife e região cobra licitações e fiscalização no setor de transporte público.

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Formalmente há concorrência, mas o concessionário de um serviço público tão básico que ganha uma licitação pode considerar aquilo uma capitania hereditária e dormir tranqüilo o resto da vida. Para evitar tais abusos, o recentemente falecido Pelópidas da Silveira, que foi um dos melhores prefeitos que já tivemos, criou, pouco depois do colapso da Tramways, a Companhia de Transportes Urbanos (CTU), que logo espalhou seus ramais por toda a cidade, sobretudo para os bairros mais longínquos e populares.


Infelizmente, depois do golpe de 1964, a direção da companhia pública tornou-se feudo de militares despreparados para a tarefa e entrou em processo de desintegração virando cabide de empregos. Sucateada, foi vendida baratinho a uma empresa paulista, que se comprometeu a manter e recuperar a rede de ônibus elétricos, que cobrava tarifas mais baratas por não usar diesel. Não cumpriu o compromisso nem isso lhe foi cobrado. Por tratar-se de um serviço público de caráter eminentemente social, o transporte público de massa merece atenção prioritária. Daí a sociedade estar cobrando a promessa do governador. 

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Fonte: Jornal do Commercio (PE)

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