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Índia quer duplicar comércio com Brasil

O governo da Índia espera que a aproximação com o Brasil possa elevar as trocas comerciais entre os dois países a US$ 5 bilhões por ano em três anos. Hoje, esse volume é de US$ 2,3 bilhões. O Brasil importou no ano passado US$ 1,2 bilhão em produtos indianos, principalmente óleo diesel, e exportou US$ 1,14 bilhão, com destaque para açúcar, óleo de soja, aviões, álcool e petróleo bruto.


Embora reconheça que a meta para a corrente de comércio ainda é baixa (representaria pouco menos do que 3% da soma das importações e exportações brasileiras em 2005), o ministro de Relações Exteriores da Índia, Anand Sharma, ressaltou que esse é apenas o começo de uma etapa que levará a novo patamar nas relações entre os dois países. Ele lembra que o volume de comércio já quintuplicou nesta década e que Índia e Brasil podem unir suas forças em áreas como energia (especialmente etanol e biodiesel), agricultura, biotecnologia e pesquisa científica.


Uma série de acordos de cooperação deve ser assinada na próxima semana, quando o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, estará no Brasil para a primeira cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), da qual também participará o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki. Será a primeira visita de um primeiro-ministro da Índia desde a viagem de Indira Ghandi ao país, no ano de 1968.


Um dos principais interesses da Índia no Brasil é o uso da tecnologia do etanol como combustível. A Índia importa hoje US$ 30 bilhões em petróleo, cerca de 70% de suas necessidades, e tem investido em energias alternativas, como o uso do álcool combustível e da energia nuclear. Em 2003, o país chegou a aprovar uma lei para que se adicionasse 5% de etanol à gasolina, mas a medida não saiu do papel, entre outros motivos, por dificuldades na organização da cadeia produtiva, segundo Rengaraj Viswanathan, responsável pela América Latina no Ministério de Relações Exteriores da Índia e ex-cônsul em São Paulo. De acordo com ele, um dos objetivos do governo é ampliar a adição de álcool à gasolina para 10%.

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Entre os empresários que acompanharão a missão ao Brasil estão representantes da Bajaj Hindustan, maior produtora de açúcar da Índia. A Bajaj anunciou que tem US$ 500 milhões disponíveis para investir no Brasil, com aquisição de terras, de usinas ou joint ventures. Outras duas companhias do setor que visitarão o país são a Raj Shree e a Renuka.


Há grande interesse, porque no Brasil a produtividade da cana é muito alta, explica Viswanathan. A Índia é o maior produtor mundial de açúcar, mas consome tudo o que produz e muitas vezes tem de importar o produto para atender ao consumo do mercado interno.


Na área de energia, outro acordo que deverá ser anunciado na próxima semana é o de exploração de petróleo na Índia pela Petrobras, em sociedade com a Oil and Natural Gas Corporation (estatal indiana). A Petrobras já exporta petróleo bruto para a Reliance, maior companhia privada da Índia, com US$ 22 bilhões de faturamento, e importa óleo diesel.


Do setor privado, deverá ainda ser anunciada a venda de vagões indianos da Bharat Earth Movers para a Companhia Vale do Rio Doce. A mineradora brasileira, que abriu recentemente um escritório em Nova Déli, e que está prospectando oportunidades de exploração de minério no país, já tem um contrato de US$ 600 milhões com a indiana Ircon para recuperação de sua malha ferroviária. O contrato tornou viável que a Ircon investisse na abertura de uma fábrica de dormentes no Brasil.


Ao todo, entre 50 e 60 empresários acompanharão a visita de Manmohan Singh ao Brasil e participarão do Encontro Empresarial Brasil, Índia e África do Sul, que será realizado nos dias 12 e 13 na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.


Do lado governamental, está prevista a assinatura de ao menos quatro acordos entre Brasil e Índia na cúpula do Ibas: em ciência da tecnologia, na área de aviação civil, agricultura (fa

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Fonte: Valor Econômico

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