O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que é possível compatibilizar o interesse nacional com a compra da Xstrata pela Vale. Em entrevista na sede da instituição, Coutinho destacou que “a preocupação do governo é assegurar o controle perene da Vale pelo Brasil e que o fluxo de investimentos no país em mineração e não só em minério de ferro, mas nas outras cadeias minerais, seja mantido e até reforçado por esta operação”. Ele informou que já expôs as preocupações do governo à Vale e que não vê problemas para que elas sejam atendidas. “E isso está em discussão”, afirmou.
Mas, Coutinho não sabe ainda quando o governo e o conselho da Valepar, que concentra os acionistas controladores, vão aprovar a operação. Mas informou que os entendimentos aceleraram. “As tratativas foram precipitadas com a entrada forte dos chineses na jogada”, disse, referindo-se à compra na semana passada de 12% da Rio Tinto pela Chinalco, estatal de alumínio da China. “Os chineses compraram um pedaço grande da Rio Tinto e isso dificultou o negócio da BHP e complicou a fusão”. Para o presidente do BNDES, “a estratégia chinesa é muito clara; é provavelmente de bloquear a concentração no setor, porque olha essas fontes de matérias-primas como algo importante para assegurar preços mais baixos”. “A estratégia chinesa é diferente e isso mudou um pouco o quadro. Isso tem uma velocidade de negócio que não está na nossa alçada”, reconheceu.
O temor de que os chineses se metam na negociação entre a Vale e a Xstrata, como insinuou, pode acelerar as conversas. “Cumpridas as condições de salvaguarda do interesse nacional, que é o que compete ao governo, esta é uma operação, se tiver consistência empresarial, que os acionistas vão examinar e vão aprovar ou não. Do ponto de vista do governo, o que interessa é assegurar o interesse nacional. O BNDES fez sua análise e as condições foram comunicadas à empresa (Vale); não vejo problemas para que elas sejam atendidas”.
Coutinho ressaltou que a preocupação do governo com a operação é “assegurar o controle perene de brasileiros e do Brasil sobre a Vale”. Ele relatou que existem desenhos diferentes para a modelagem da operação. “Pelas características preliminares que vimos (da operação, à qual o banco teve acesso) é perfeitamente compatível com a preocupação do governo, que é absolutamente correta e legítima”. Para ele, “é possível compatibilizar as preocupações do governo com o desenho da operação”. Disse que já expôs isso à Vale. Para o presidente do BNDES, a operação não representa risco de perda de controle da Vale pelo capital nacional e é possível reforçar os investimentos da companhia no Brasil, inclusive investimentos em áreas conexas como siderurgia.
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Para analistas de mineração consultados pelo Valor, as afirmações do presidente do BNDES deixam entrever que a operação de aquisição da Xstrata pela Vale já está praticamente fechada. É só uma questão de o governo e o conselho da Valepar darem o parecer final do negócio. O que não deve demorar, levando em conta os riscos da ameaça de intervenção estratégica chinesa.
Segundo o Valor levantou, os temores do governo com esta operação de aquisição internacional foram alimentados por informações que circularam no mercado de que a controladora da Xstrata, a trading suiça Glencore International, teria exigido um assento no conselho da Valepar para vender suas ações (35% do capital da anglo-suiça) à Vale.
No conselho da Valepar estão Previ, BNDES, Bradespar e Mitsui. Para abrir espaço para a trading suiça uma solução seria a Previ vender um excedente de sua participação no bloco de controle transformada em ações preferenciais, que seriam convertidas imediatamente em ordinárias. Isto daria a Glencore uma fatia de cerca de uns 5% na Valepar.
Outro temor do Planalto era a Vale aproveitar o negócio e, ao invés de incorporara a Xstrata a ela, vir a abrir uma nova empresa de metais (com seus ativos de cobre, ní
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