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Produtores de MT criam nova cooperativa

A Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) vai criar uma cooperativa destinada exclusivamente à participação da entidade em projetos ou em empresas. A assembléia para homologar a criação da cooperativa, já batizada de Coprosoja, ocorrerá no início de dezembro, de acordo com Marcelo Duarte Monteiro, diretor executivo da Aprosoja. 


Diferentemente de uma cooperativa tradicional, a Coprosoja não terá como foco atividades como armazenagem e comercialização de grãos ou compra conjunta de insumos para os associados. “Ela funcionará como uma holding. A cooperativa vai entrar em projetos dos quais a Aprosoja não pode participar”, afirma Monteiro. “A associação é uma entidade de representação de classe e, por isso, não tem condições de explorar atividades industriais ou comerciais”. 


Dois projetos já estão na mira da nova cooperativa. Um deles é o de pesquisa nas áreas de ocorrência de fosfato em um conjunto de municípios localizados ao norte de Cuiabá. Em 2007, a Aprosoja requisitou ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) o direito de pesquisar uma jazida em uma extensão de cerca de 600 mil hectares, mas o trabalho ficou concentrado em cerca de 60 mil hectares. Fosfato, nitrogênio e potássio são as principais matérias-primas para a produção de fertilizantes. 


Com produção própria, o Estado poderia contrabalançar a disparada dos preços do adubo, movimento que limitou o uso do insumo nesta safra – os custos mais altos levaram muitos produtores a reduzir o volume de fertilizante aplicado no solo. De acordo com a média nacional apurada pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em 2002 eram necessárias 15,6 sacas de soja para a compra de uma tonelada de fertilizante. A relação de troca, segundo dados preliminares, passou a 25,6 sacas no intervalo entre janeiro e setembro deste ano. 

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“Até o fim de 2009 queremos ter muito claros o potencial e a viabilidade de exploração dessa área”, diz Monteiro. As sondagens iniciais, com furos no solo de até 20 metros, necessários para a coleta de material para análise de laboratório, já estão em curso. Mais tarde é que as sondagens mais profundas, de mais de 100 metros, serão realizadas. A Aprosoja transferirá os direitos de pesquisa para a Coprosoja depois da criação desta. 


O outro projeto que desperta interesse da nova cooperativa é o da ferrovia Leste-Oeste. “Não podemos ficar de fora desse projeto. A idéia é participar da concessão”, diz o dirigente da Aprosoja. O desenho atual prevê a ligação, com a estrada de ferro, entre Uruaçu, em Goiás, e a região produtora de Vilhena, no sul de Rondônia. A ferrovia, com isso, passará pelo pólo agrícola da mato-grossense Lucas do Rio Verde. 


Um grupo de grandes produtores rurais e de 21 cooperativas do Centro-Oeste já anunciou o plano de criação de uma sociedade de propósito específico (SPE) para brigar pela concessão da Leste-Oeste. Segundo estimativa do consórcio, a capitalização da empresa que administraria a estrada de ferro será de até R$ 1,5 bilhão. A Coprosoja fará parte desse time. 


Mato Grosso tem cerca de 6 mil produtores, 2 mil dos quais são filiados à Aprosoja. A adesão à nova cooperativa não será compulsória. A associação vai percorrer mais de 20 municípios do Estado até o fim deste mês para apresentar os detalhes do projeto. Cada produtor terá direito à compra de cotas da Coprosoja, em termos e valores a serem definidos na assembléia marcada para o início de dezembro. No momento, a idéia é que a compra das cotas seja feita em dinheiro, e não em sacas de soja. 

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Fonte: Valor Econômico

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