Estadão Mobilidade – No jogo de tabuleiro que é o mercado imobiliário de São Paulo, ganham pontos os bairros que recebem uma estação de metrô. E muitas peças já começaram a se movimentar desde o início das obras da Linha-6 Laranja. As incorporadoras não escondem o interesse por regiões abraçadas pelo transporte público. No entanto, há que se destacar que nem todos os lugares estão recebendo a mesma atenção.
Com um custo previsto em, aproximadamente, R$ 18 bilhões, segundo estimativa da própria concessionária Linha Universidade, responsável pelo projeto, a Linha Laranja é apresentada como o maior projeto de infraestrutura em andamento da América Latina. A expectativa da companhia e do Poder Público é que esse gasto se traduza em transformações positivas para a cidade, além da melhoria da mobilidade.
“O Metrô é muito potente para criar empregos e para mudar os lugares”, sintetiza Maria Cristina da Silva Leme, professora de arquitetura e urbanismo da USP. Ela acredita que essa transformação acontece por causa do Plano Diretor da cidade, que estimula o adensamento populacional e construtivo próximo às regiões com boa estrutura de transporte público.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Prova disso são os empreendimentos em construção que, hoje, já fazem parte da paisagem do entorno de futuras estações, como Sesc Pompeia, 14 Bis e Perdizes. Localizado a 450 metros de onde será a nova estação do bairro, o Cardoso 432 é um dos frutos desse desenvolvimento. “A proximidade do metrô foi um fator determinante para decidirmos o local”, confirma Cyro Naufel, diretor institucional da Lopes Construtora.
Rafael Mattioli, gerente comercial da MPD Engenharia, empresa à frente do Hera Perdizes, localizado nas redondezas da estação, corrobora a importância da linha. “A escolha do local foi baseada em uma série de fatores, como localização, público-alvo e opções de lazer, mas a proximidade do metrô agrega valor ao produto”, afirma.
E a transformação do rio para lá?
Enquanto o mercado imobiliário promove uma série de transformações nos bairros do centro expandido, do outro lado das fronteiras físicas e invisíveis do Rio Tietê, a expansão dos prédios ainda caminha a passos lentos. Um levantamento realizado pela Secovi-SP para o Estadão mostrou que, mesmo após o anúncio do metrô, a construção de empreendimentos nas regiões periféricas é um movimento tímido.
Para ter ideia, de 2015 a junho de 2022, 18 lançamentos residenciais foram inaugurados a até 1 quilômetro da Estação Sesc Pompeia do metrô. No mesmo período, apenas cinco foram lançados ao redor da Estação Freguesia do Ó, seis da Itaberaba e dois da Brasilândia. Mesmo com números não tão promissores, os moradores desses bairros acreditam numa mudança.
A crença dessa transformação pode estar encontrando abrigo em empresas que abriram os olhos para a região. É o caso da Tarjab, incorporadora responsável pelo empreendimento Origem, localizado a cinco minutos da futura Estação Itaberaba, na Freguesia do Ó. “Sabemos que os transportes coletivos facilitam ainda mais o dia a dia do futuro morador”, justifica Leandro Domingues, gerente de produto da companhia.
Para o aposentado Orlando Antoniasi, morador na Brasilândia, o sentimento é de que as coisas vão mudar aos poucos. “O progresso está vindo, e a gente vai crescer junto com ele”, resume. É difícil prever, no entanto, até qual lugar do mapa a evolução promovida pela Linha Laranja tem potencial para alcançar.
O local que vai receber o Pátio Morro Grande – que deve funcionar como uma espécie de garagem e espaço de manutenção para os trens –, por exemplo, ainda parece estar alheio a esse desenvolvimento. Entre terrenos vazios, barulho incessante das construções e vários carros dos funcionários estacionados nas ruas, o que se vê são casas muito simples e o clima interiorano ao redor do imponente canteiro de obras.
Em uma dessas residências vizinhas ao terreno, vive Ramildson Ferreira. “Aqui é muito carente em relação ao transporte, e o metrô vai ser fundamental para melhorar nossa região”, celebra. Ele garante que não se incomoda com o barulho, pois tenta ser tolerante e compreensivo com as transformações. “Eu coloco na balança. E acredito que, no fim, vai tudo valer a pena.”
Fonte: https://mobilidade.estadao.com.br/meios-de-transporte/no-ritmo-das-obras-do-metro/
Seja o primeiro a comentar