Uma composição do monotrilho da linha 15-prata, na zona leste, saiu do seu eixo no final da madrugada da última quarta-feira (15). Segundo o Metrô, o pneu do monotrilho saiu do local em que deveria estar apoiado, numa viga de sustentação.
Por isso, o monotrilho, que estava sendo preparado para o início do transporte de passageiros, não conseguiu efetuar sua manobra e ficou travado sobre as vigas. O Metrô diz ainda apurar as causas da ocorrência.
O acidente é o terceiro só neste ano na linha que tem uma série de atrasos e até falhas de projeto.
O primeiro incidente neste ano ocorreu no dia 29 de janeiro, quando uma barra metálica, responsável por fornecer energia para a composição, caiu de uma altura de 15 metros. Partes da peça foram parar na avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, zona leste da capital.
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A circulação dos trens foi afetada naquele dia.
No dia seguinte, a linha passou por nova falha, dessa vez mais grave. Um vagão que estava sem passageiros colidiu com outro monotrilho que estava estacionado. A colisão aconteceu durante uma manobra na área de estacionamento.
Idealmente, os monotrilhos deveriam ser conduzidos de maneira automática, sem interferência de maquinistas. Mas esse estágio nunca foi alcançado e metroviários afirmam que várias etapas da operação do monotrilho exigem a presença de um condutor.
O Metrô concluiu que essa colisão havia sido causada por uma falha humana. O operador teria agido de forma que fez com que o monotrilho que estava em movimento não percebesse a presença de outro que já estava parado, causando a colisão. O Metrô disse que reveria seus procedimentos.
O sindicato dos metroviários contestou a versão do Metrô e disse que a linha não tem um sistema de redundância para falhas. Ou seja, se uma falha ocorrer, não existe outro sistema que venha garantir a segurança da operação.
Esse monotrilho está em construção desde 2011 e o seu primeiro trecho de dez estações deveria ter sido entregue, da Vila Prudente até São Mateus, em 2014. A segunda etapa da obra, que prevê mais sete estações até o bairro de Cidade Tiradentes, está com a construção suspensa.
Só para chegar até o bairro de Iguatemi, no meio do caminho até Cidade Tiradentes, a obra custa R$ 5,2 bilhões.
Em 2017, o Metrô estimava que o monotrilho chegaria a São Mateus em junho de 2018. A previsão fracassou e agora o governo fala que todo o trajeto ficará pronto até o final deste ano.
No futuro, com a linha inteira entregue e funcionando a pleno vapor, o monotrilho deve receber cerca de 405 mil passageiros por dia útil. Mas por enquanto, o máximo que a linha já recebeu em um dia foi 37 mil passageiros (contra a expectativa de 405 quando as obras forem completas).
Em 11 de março, em um leilão sem concorrentes, a CCR venceu a licitação de concessão deste monotrilho. Grupo pagou R$ 160 mi no contrato de 20 anos. O valor equivale a um ano de arrecadação da ViaQuatro, concepcionária da linha 4 também pertencente à CCR.
Apesar do leilão, a CCR ainda não assumiu a operação da linha.
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