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Vale diz que terceiro trilho não prejudica MRS

A instalação de um terceiro trilho em bitola métrica na bitola larga da MRS entre os municípios de Barra Mansa e Sepetiba (RJ) não deverá comprometer a capacidade de transporte da MRS. A avaliação é do presidente da FCA, Mauro Dias, que disse não acreditar que o projeto implique em redução da velocidade máxima permitida naquele trecho. A declaração foi feita nesta nesta terça-feira (dia 5), durante almoço de confraternização da CVRD com a imprensa.

Em recente comunicado à RF, o presidente da MRS, Julio Fontana, contestou a viabilidade do projeto (Veja nota MRS contesta viabilidade do terceiro trilho), alegando, entre outros fatores, que com a instalação do terceiro trilho “a velocidade máxima permitida seria substancialmente reduzida, afetando, as operações ferroviárias e impactando a logística portuária em Sepetiba, Guaíba e no Porto do Rio de Janeiro, gerando atrasos e comprometendo, seriamente, as exportações e os interesses dos clientes e embarcadores”.

Mauro Dias disse não concordar com esta análise, ressaltando ainda que
“a instalação de um terceiro trilho é uma questão superada, porque a alegação é que os trens da FCA seriam menores. Mas no ponto de intercâmbio é possível formar trens de mesmo tamanho, praticamente equivalentes”. “Se eu descer com um trem menor por causa da redução em um trecho de serra” continuou, “não quer dizer que chegando na linha da MRS eu não possa juntar esses vários trens pequenos e fazer um trem maior”.

O presidente da FCA argumentou ainda que, como cliente da MRS, a CVRD é a maior usuária do trecho em questão — a produção de minério de ferro da Ferteco é transportada para o Porto de Sepetiba nos trens da MRS. “Dois terços da produção da MRS é carga nossa, todo o minério que passa ali. Então não é de meu interesse criar dificuldades para o nosso negócio principal”, disse ele.

Para Mauro Dias, a discussão é técnica e envolve todos que têm interesse no projeto, ou seja, a Vale, a MRS e a ANTT. “São questões de viabilidades técnica e econômica. A viabilidade técnica é o primeiro ponto que temos que fechar e, depois, a viabilidade econômica”, afirmou. Segundo ele, a instalação do terceiro trilho tem sido uma solução recorrente na ferrovia brasileira. “Temos um terceiro trilho instalado no trecho entre Campinas e Santos. Temos lá as duas bitolas, a FCA entra na bitola métrica e a Ferronorte passa lá na bitola larga. É uma situação que já existe em vários pontos da malha brasileira.”

Com relação à solução alternativa apresentada pela MRS (construção de um terminal de transbordo de grãos à margem da sua linha ferroviária), Mauro Dias disse que no caso do transporte de alguns produtos, a operação de transbordo é mais complicada. Como exemplo ele citou o cimento (produzido na região do Sul de Minas Gerais), cuja movimentação com transbordo exigiria a construção instalações específicas, onerando ainda mais o custo da operação.

“São essas questões que estão sendo debatidas para se chegar à melhor solução. Existe mercado. Na região de Varginha, por exemplo, tem toda uma produção de café que vai hoje de caminhão para o Porto de Santos. A FCA tem uma linha dentro de Varginha. Se eu tivesse o terceiro trilho, levaria a produção de dentro de Varginha para Sepetiba. Seria uma solução imbatível”, disse ele, citando ainda o algodão como mais um produto potencial a ser exportado pelo Porto de Sepetiba. “Temos operado muito o transporte do algodão que vem do Centro-Oeste, tanto para o mercado externo como para o mercado interno. Essa produção poderia vir para o Porto de Sepetiba”.


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Fonte: Folha de São Paulo

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