O crescimento do número de usinas de açúcar e álcool no estado de São Paulo está fazendo renascer os ramais ferroviários. Neste mês, a América Latina Logística (ALL) reativou o trecho que liga as cidades de Bauru e Tupã para atender um contrato com a trading inglesa de agronegócios EDF&Man do Brasil S/A. O acordo prevê a movimentação de 300 mil toneladas de açúcar em 2007.
Sérgio Nahuz, gerente da ALL da Unidade de Produção Norte (UP Norte), afirmou que há cinco anos o ramal não era operado por falta de infra-estrutura. Investimos na troca de 26 mil dormentes e na melhoria da via permanente. São 202 quilômetros que estavam inoperantes por falta de recursos. O operador anterior priorizava a malha da região Centro-Oeste do Brasil, que dependia de investimentos menores. A empresa também providenciou o reforço nos lastros de sustentação e uma revisão completa da integridade dos trilhos nos 202 quilômetros que compõem a linha na região entre Bauru e Tupã.
Segundo ele, somente este ramal reativado tem potencial de transporte de 1 milhão de toneladas por ano. Para se ter uma idéia, em todo ano passado passaram pelos trilhos da ALL 4 milhões de toneladas de açúcar. Esta é uma área que pretendemos crescer muito. Estamos focando nossos esforços no transporte de açúcar e álcool, disse o executivo.
Nahuz acrescentou que a companhia já está avaliando a operação de ramais nas cidades de São José do Rio Preto, Ourinhos, Araraquara, Santa Adélia e Pradópolis. São regiões onde existem ramais, mas que necessitam de investimentos em ativos e estamos providenciando isto, disse o executivo sem informar os recursos que serão aportados na compra de material rodante. É um mercado em grande expansão. Pelo Porto de Santos foram exportados cerca de 14 milhões de toneladas de açúcar no ano passado, acrescentou.
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Troca de Modal
No contrato com a EDF&Man do Brasil está prevista a transferência total do modal rodoviário para a ferrovia somente neste ramal. Segundo o diretor de logística da trading, Elder Luiz Gosling, a idéia é realizar todo transporte por trens até o porto de Santos. Com isso conseguimos controlar mais o fluxo da carga evitando a armazenagem por muito tempo no porto. Por rodovia, geralmente chegam muitos caminhões ao mesmo tempo no terminal marítimo.
Outro fator preponderante para troca de modal, conforme o executivo, é o custo competitivo da ferrovia. Estamos em processo de negociação com a ALL, mas entendemos que tem que ser muito mais barato que o frete por caminhão. Afinal, uma locomotiva é capaz de transportar cerca de 3 mil toneladas de carga e um caminhão em média 30 toneladas. É muito mais competitivo, ressaltou. A EDF&Man do Brasil, para este contrato investiu também R$ 300 mil na adaptação do terminal da Ceagesp, em Tupã, para a armazenagem de açúcar. A capacidade instalada do terminal é de 36 mil toneladas.
A trading também avalia a mudança de modal no terminal de Santa Amélia. Investimos US$ 2 milhões na duplicação de capacidade do armazenagem. Com a conclusão em maio a capacidade será de 85 mil toneladas, disse. Este volume atualmente é transportado por caminhão, mas estamos estudando junto à ALL a troca de modal.
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