O projeto do trem-bala interligando Rio, São Paulo e Campinas poderá receber injeção de recursos públicos, disse ao GLOBO a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A decisão sobre a necessidade de parceria com a iniciativa privada será tomada quando concluídos os estudos de demanda de passageiros e trajeto, o que deve ocorrer em agosto. A licitação de quase R$20 bilhões, cumprido o cronograma, será no primeiro semestre de 2009. Dilma adiantou que, para garantir competição no leilão, não haverá definição prévia da tecnologia usada na obra. Esta era uma das críticas ao empreendimento.
– Recebemos todos os investidores, falamos com os europeus, japoneses e coreanos. E, depois de muita discussão, chegamos à conclusão de que não devíamos licitar (o trem-bala) com definição de opção tecnológica, porque acabaríamos com a licitação – afirmou Dilma.
Hoje, quatro países disputam de forma mais acirrada o projeto brasileiro: Japão, Alemanha, França e Coréia do Sul. Cada um com tecnologia diferente.
Apesar do interesse, diz Dilma, há controvérsias no governo e entre especialistas quanto à possibilidade de implantar projeto dessa magnitude – 518 quilômetros em sete anos de construção – sem o aporte direto de recursos da União (e não só com financiamento do BNDES).
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Em abril de 2007, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou estudo de viabilidade econômico-financeira, da italiana Italplan. Mas, diz Dilma, o governo mudou os rumos do projeto:
– Nós, do grupo de trabalho (Casa Civil, Ministério dos Transportes, a estatal Valec e o BNDES), chegamos à conclusão de que era preciso contratar estudo de demanda independente, para termos condições técnicas de decidir se o projeto deve ter dinheiro público ou não. E para saber a rentabilidade.
A tarefa, que deverá ser concluída até 2008, ficou com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O governo contratou o Banco Mundial (Bird) para ajudar na supervisão do formato do empreendimento. Os estudos preliminares apontavam para potencial anual de 32 milhões de passageiros.
Conexão entre capitais seria mais barata que ponte aérea
Também é preciso avaliar que tipo de transporte de alta velocidade será implementado – a hipótese de um trem com 180km/h não está descartada. A estimativa inicial é que se vá do Rio a Campinas em 1h50m. O número de paradas entre as duas cidades ainda será decidido. Mas já está certo que haverá conexões com os aeroportos Tom Jobim/Galeão, Guarulhos e Viracopos (Campinas).
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, garante que a passagem – a Italplan indicava R$125 a perna – deverá ser mais barata que a da ponte aérea. Para Rodrigo Vilaça, presidente da seção de transporte ferroviário da Confederação Nacional do Transporte, o governo acerta ao propor que o projeto seja intermodal – integrando ferrovia, aeroportos e rodovias -, não definir previamente a tecnologia e “não ficar obcecado” em ter o trem mais veloz do mundo.
O projeto do trem-bala previa inicialmente a ligação entre Rio-SP (405 km), sendo orçado em US$9 bilhões. Com a ampliação do empreendimento, devido à integração com os três grandes aeroportos da região, agora o trajeto começa no Rio e termina em Campinas, e a capital paulista é a escala mais importante. São 518 km, orçados em US$11 bilhões.
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