A Ferroeste apresenta nesta quinta-feira ao governo federal um pré-estudo de viabilidade técnica para a construção de uma ferrovia ligando Guarapuava, na região central do Paraná, a Paranaguá. A proposta da estatal foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) atendendo a um pedido do próprio governo do estado. Ela substitui um projeto de Parceria Público-Privada (PPP) feito pela América Latina Logística (ALL), que constava do primeiro documento do PAC apresentado pela Casa Civil em janeiro de 2007.
Segundo nota enviada pelo Ministério dos Transportes, “o governo federal, em parceria com o estado do Paraná, definiu como prioridade e incluiu no PAC as obras de construção da ferrovia entre o trecho Guarapuava e Engenheiro Bley [na Lapa]”. O ministério não informou, no entanto, quando efetivamente a mudança foi feita e quais os motivos, nem confirmou se o governo federal desistiu totalmente da parceria com a ALL. Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério do Planejamento também se limitou a informar que o estudo estava sendo realizado pelo governo do Paraná.
Mudanças
O trecho projetado pretende resolver um gargalo logístico antigo, a ligação central do Paraná ao Porto de Paranaguá. A ALL sugeria a construção de um novo trecho, entre Guarapuava e Ipiranga, nos Campos Gerais. A Ferroeste propunha a melhoria do trecho entre Guarapuava e Irati e uma extensão até a Lapa. Agora, o estudo a ser apresentado na quinta-feira, em reunião no Ministério dos Transportes, prevê a construção de uma linha férrea totalmente nova mesmo em dois trechos onde a ALL já possui ferrovia: entre Guarapuava e Irati e entre Curitiba e Paranaguá. Toda a extensão deverá ser administrada pela Ferroeste, segundo o diretor presidente da companhia, Samuel Gomes. Hoje a Ferroeste opera apenas um trecho de 248 quilômetros, entre Cascavel (Oeste) e Guarapuava.
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Custo
Gomes diz que o projeto diminui a distância atual entre Guarapuava e Paranaguá em 125 quilômetros e o tempo de viagem deve ser reduzido de oito dias para cerca de 36 horas. O custo estimado no pré-projeto de viabilidade é de R$ 985 milhões, segundo Gomes, “sem nenhum centavo dos cofres públicos”. A obra deve ser financiada pelo BNDES, ou ainda por bancos privados. “Três bancos internacionais já demonstraram interesse em investir na ferrovia. Com uma movimentação de 6 milhões de toneladas, o projeto se pagaria em 20 anos. Mas temos uma demanda de, no mínimo, 12 ou 15 milhões de toneladas.”
De acordo com o diretor da Ferroeste, o projeto de viabilidade técnica da obra deve ser apresentado ao governo federal até o fim deste ano. E, se aprovado, as obras devem começar no início de 2009.
A ALL informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não foi informada oficialmente de um possível desinteresse do governo federal em relação ao projeto e, por isso, preferiu não comentar a questão.
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