No segundo semestre de 2006, a GE Fanuc Intelligent Platforms, uma unidade da GE Enterprise Solutions, junto com a empresa Automaton Integração de Sistemas Ltda. implantou o projeto Trem Esmerilhador na ferrovia Estrada de Ferro Carajás (EFC), administrada pela gerência de manutenção industrial e máquinas de vias (GARUG) da Companhia Vale. A EFC liga a Mina de Carajás no sul do Pará ao Porto de São Luís no Maranhão.
O projeto consistiu em corrigir imperfeições superficiais da ferrovia com máquinas de esmerilhamento. Além da modernização das três máquinas, o objetivo principal foi permitir que a partir de uma máquina se controlasse as outras duas. Antes, cada máquina trabalhava individualmente. Um bom serviço de esmerilhamento, utilizando uma única máquina, demandava que o mesmo trecho fosse percorrido três vezes. Com isso, a máquina tinha que, após esmerilhar o trecho uma vez, retornar duas vezes para novos esmerilhamentos, o que demandava muito tempo. O trabalho com as máquinas em conjunto dispensou a necessidade de retornos, otimizando a produção.
Um grande desafio logístico precisou ser vencido durante sua implementação, por tratar-se de um equipamento móvel que trabalha prestando manutenção a uma linha férrea com extensão aproximada de 890 km e com tempos limitados de parada para manutenção. Foi necessário substituir todo o sistema de supervisão e controle da máquina Pandrol para deixá-lo compatível com as máquinas Speno, que já utilizavam equipamentos da GE Fanuc. Para a nova configuração, foi utilizado um PLC da família 90-30, IHMs do modelo QuickPanel, um computador para o supervisório Proficy Cimplicity HMI, telefones fixos, rádios do modelo Aeronet e telefones WiFi, ambos da Cisco, dentre outros equipamentos. Os cartões de IO foram interligados por uma rede Profibus DP.
O sistema de rádios permite a comunicação de dados necessária para controlar, a partir de uma máquina, as outras duas, e a comunicação entre funcionários através de voz sobre IP. Para a comunicação entre os três PLCs, foi utilizada a ferramenta Ethernet Global Data e para a programação dos PLCs e IHMs foi utilizado o Proficy Cimplicity Machine Edition. O supervisório Proficy Cimplicity HMI de cada máquina comunica-se diretamente com cada PLC. Caso alguma das máquinas seja retirada, o operador deverá informar a nova configuração na tela de montagem da composição e o sistema automaticamente desabilita a comunicação com a máquina ausente. A montagem da composição pelo operador no sistema de controle é também necessária para que os motores de rebolo de toda a composição subam e desçam no mesmo ponto do trilho, garantindo-se assim que cada trecho seja esmerilhado uniformemente por todos os rebolos.
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Os resultados obtidos foram plenamente satisfatórios. Com o melhor desempenho da máquina, a meta de confiabilidade, que era de 31 km entre falhas superficiais na ferrovia, foi superada significativamente obtendo-se o resultado de 53 km entre imperfeições em 2007. O controle de uma máquina sobre as outras duas permitiu reduzir a mão de obra operacional e disponibilizar mais para controle de qualidade e manutenção e o tempo necessário de esmerilhamento diminuiu substancialmente em função das máquinas trabalharem integradas. Com isso, a meta estabelecida passou de 2850 km/ano em 2006 (2961 realizado) para 4132 km/ano em 2007 (3126 realizado). Em 2007 a meta não foi atingida devido ao intenso tráfico na via, o que reduziu a disponibilidade para trabalho.
Outras mudanças positivas foram que o tempo de manutenção corretiva foi otimizado, a comunicação de voz melhorou significativamente e como o sistema permitiu o armazenamento de receitas de esmerilhamento em banco de dados agora os operadores não precisam digitar valores de ângulos para cada um dos 96 rebolos, basta descarregar as receitas.
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