A MRS Logística, principal transportadora de minério de ferro do país, reduziu sua expectativa de crescimento no volume transportado para 2009 em mais de 50%. A companhia, que foi duramente atingida pelo corte de 30 milhões de toneladas na produção da Companhia Vale do Rio Doce, previa crescer entre 20% e 25% em 2009. Agora a empresa trabalha com a expectativa de uma avanço de 10% a 12%, similar ao que deve registrar neste ano. O corte súbito na produção de sua maior cliente também forçou a companhia a conceder férias a 10% de seus funcionários e a postergar ao máximo os investimentos programados para os próximos dois anos. “Não estamos cancelando, estamos apenas adiando”, afirma Júlio Fontana, presidente da companhia.
Nos próximos três meses a companhia deve ampliar o programa de férias coletivas que começou a ser implantado na última semana. A expectativa é de que até 25% de funcionários da MRS sejam convidados a tirar férias a cada mês. Pelas contas de Fontana, isso permitiria que a companhia ganhasse até quatro meses sem ter mão-de-obra ociosa. Segundo o executivo, não há nenhuma perspectiva de demissões no curto e médio prazos. “Nós vamos continuar crescendo, mas não no ritmo que esperávamos”, afirma o executivo.
A MRS estimava chegar a 200 milhões de toneladas transportadas até 2010. Para este ano a companhia previa transportar 140 milhões de toneladas, sendo que 75% desse total vêm da Vale e da CSN. Por conta da expectativa de um crescimento vertiginoso, iniciou um plano de investimentos em 2007 que previa o desembolso de US$ 3 bilhões até o ano que vem. Desse total, US$ 1,3 bilhão seriam investidos em 2009, principalmente na compra de vagões, locomotivas e sistemas para que a companhia tivesse capacidade de acompanhar a demanda mundial que, acreditava, seria crescente.
Com esse cenário de expansão, a companhia fez encomendas pesadas de vagões e locomotivas. Junto a fornecedores brasileiros e estrangeiros a MRS fechou pedidos firmes de 1,5 mil vagões neste ano e de mais 120 locomotivas. Desses pedidos, a MRS tem para receber, até o fim de 2009, cerca de mil vagões e aproximadamente 30 locomotivas. Todos esses equipamentos, além de investimentos nas vias permanentes e em sistemas de controle, seriam necessários para a companhia conseguir chegar às 200 milhões de toneladas transportadas em 2010, como era esperado.
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Até agora a MRS não cancelou nenhum pedido. Mas desde a semana passada está chamando os fornecedores para renegociar os prazos de entrega. A intenção é prorrogar ao máximo possível a chegada desses equipamentos porque boa parte dos pagamentos está atrelada à receita gerada pela companhia. “Não temos a mínima intenção de cancelar nenhum pedido, mas queremos postergar as entregas o máximo que pudermos”, diz Fontana. “Ainda estamos negociando, buscando conversar com cada um e encontrar uma solução que seja boa tanto para nós quanto para nossos fornecedores”, diz.
Júlio Fontana afirma que as medidas ainda são paliativas. “Estamos buscando maneiras de ganhar tempo, até que as coisas fiquem mais claras”, afirma. “Ainda é impossível saber como o mercado vai se comportar no ano que vem”. O executivo evitou falar sobre previsões do desempenho financeiro da companhia, no entanto admitiu que eles estão extremamente ligados aos resultados operacionais.
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