Dirigentes de sindicatos que congregam uma parte dos trabalhadores da Vale no país disseram ontem que a mineradora está fazendo pressão para que funcionários aceitem a suspensão temporária dos contratos de trabalho para evitar novas demissões. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Ferroviárias dos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins (Stefem), Eduardo Pinto, informou que uma das propostas da Vale é que os ferroviários que trabalham na Estrada de Ferro Carajás (EFC) – que liga a principal mina da Vale ao Terminal de Ponta da Madeira, em São Luís – entrem em recesso de 23 deste mês a 4 de janeiro.
Pela proposta, empregados com férias vencidas e a vencer continuariam de férias em janeiro e em fevereiro e, se a crise continuasse, seriam realocados por meio de treinamento. “Esse pessoal que estivesse em férias, se permanecesse a situação de crise, faria treinamento (com contrato de trabalho suspenso) a partir de março e abril para realocação, como está sendo feito em Minas”, explicou Pinto.
Segundo o sindicalista, a Vale sinalizou que quer adotar medidas para evitar um impacto bem maior, que seriam mais demissões. “Segundo eles (Vale), a crise não dá sinais de retrocesso e queriam discutir conosco a possibilidade de construir o mesmo acordo que fizeram na região Sudeste, com o Metabase”, acrescentou, referindo-se ao sindicato que representa os empregados da Vale na região Sudeste.
A maior produtora de minério de ferro do mundo anunciou quarta-feira última que demitiu 1.300 empregados para ajustar o quadro à retração do mercado, depois que se viu obrigada a cortar 10% da sua produção por conta da queda de demanda. Ontem, a mineradora informou que fechou por tempo indeterminado uma mina de níquel no Canadá, metal cujo preço despencou no mercado e no qual a Vale se tornou uma das maiores produtoras após comprar a canadense Inco em 2006.
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Em Minas Gerais, onde a empresa está presente em quase 200 municípios e houve demissões e férias coletivas para mais de 4 mil funcionários, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Itabira, Paulo Soares de Souza, afirmou que a Vale tem mantido intensa negociação com a categoria.
“Propuseram para a gente a suspensão de todos os contratos de trabalho e ameaçaram demitir mais mil funcionários se o sindicato não aceitar”, desabafou Souza.
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