Lindberg Farias (PT), prefeito de Nova Iguaçu (RJ)
Inimigo número um dos moradores de Nova Iguaçu e, tenho certeza, de toda a Região Metropolitana do Rio, o transporte público tornou-se um pesadelo. Fruto de décadas de abandono, da falta de investimentos e de políticas públicas sérias, chegamos agora ao limite. Medidas como a implantação do bilhete único, a transformação dos trens da Supervia em metrô e a integração dos transportes são alternativas viáveis para a solução definitiva dos problemas no setor e têm que entrar em pauta definitivamente.
Ir de casa para o trabalho, no Centro do Rio, virou a via crucis de milhões de moradores da Baixada e de bairros da Zona Norte e da Zona Oeste. Todos os dias de manhã, engarrafamentos quilométricos na Via Dutra, na Avenida Brasil, na Linha Vermelha. Resultado: trabalhadores chegam a passar três horas dentro de uma van, ônibus ou carro somente para chegar ao Centro.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres indicam que 40% do tráfego na Dutra são de caminhões.
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Medições do Laboratório de Estudos de Poluição do Ar da UFRJ indicam que no local a concentração média de partículas totais em suspensão, num período de 24 horas, chega a 400 microgramas de teor de carbono por metro cúbico, quase o dobro do índice permitido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente. Há estudos apontando que a elevação do índice seja consequência do aumento do tráfego de caminhões.
Por conta dessa situação, os problemas que afetam Nova Iguaçu, e outros municípios da Baixada Fluminense cortados pela Via Dutra, são ainda mais graves. Além de passar horas no trânsito o trabalhador também é sufocado pela poluição. O povo não aguenta mais tanto sofrimento. É por isso que estamos restringindo a passagem dos caminhões na Via Dutra, entre 5h e 10h, nos dias úteis, na pista sentido Rio, a partir do dia 19 de junho.
Tenho recebido críticas de que não podemos legislar sobre o trânsito em via federal. É verdade, mas estamos seguros de que podemos legislar sobre os problemas ambientais. Daí o decreto que busca reduzir os efeitos da poluição na cidade no horário em que as pessoas se deslocam para o trabalho.
Aqui mesmo no Rio há exemplos de restrição de tráfego em horários especiais.
Na Ponte Rio-Niterói atinge os caminhões com três ou mais eixos. Na orla e em 26 vias há horários predeterminados para carga e descarga. Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab não só proibiu essas operações em determinados horários como limitou os dias de circulação desses veículos. Ainda na capital paulista, há mais de dez anos um rodízio de veículos também funciona como forma de reduzir o tráfego, minimizando o problema dos engarrafamentos.
Neste caso, a qualidade de vida (trânsito melhor, menos poluição) falou mais alto.
Esse problema é uma pedra no sapato dos moradores da Região Metropolitana e merece enfrentamento. Além disso, a restrição ao horário dos caminhões reacendeu a discussão sobre a construção das vias marginais à Dutra.
O projeto de ampliação da rodovia em toda a extensão da Baixada foi, enfim, tirado da gaveta. A ampliação das duas pistas da rodovia melhoraria e muito a circulação de veículos nos horários de pico. Tenho certeza de que as discussões em torno do tráfego de caminhões na Via Dutra trarão importantes vitórias ao povo da Baixada.
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