Sob pressão do governo federal, o presidente da Vale, Roger Agnelli, anunciou ontem investimentos de R$ 9,5 bilhões em Minas Gerais, na extração de minério de ferro nos municípios de Santa Bárbara e Caetés e na construção de duas usinas, uma em Itabira e outra na ampliação da extração em Vargem Grande e Itabirito. O anuncio foi feito na sede do governo mineiro.
Do ponto de vista político, contudo, o encontro em Minas Gerais não representou um desagravo. Agnelli foi instado pelo governador Aécio Neves (PSDB) a “agregar ainda mais valor” aos empreendimentos no Estado. Após o anúncio, em entrevista coletiva, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Sérgio Barroso, afirmou que o governo mineiro pediu a instalação de uma siderúrgica da empresa em Minas.
“A Vale é a única mineradora que não tem nenhuma siderúrgica em Minas. Temos insistido que para nós é importante ir além da mineração. Eles não confirmaram o atendimento, mas vão considerar”, disse Barroso, procurando descaracterizar o evento como uma aliança entre Aécio e a direção da Vale. “O apoio que damos é à Vale, e não a indivíduos.”
Ao discursar, Agnelli sinalizou que o empreendimento, que deverá gerar 2,2 mil empregos diretos e proporcionar à empresa um aumento de 50 milhões de toneladas em sua produção de minério de ferro no Estado, deverá ser bancado com recursos próprios.
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Agnelli disse que no momento está priorizando a produção mineral. “Estamos em uma fase que temos que reestruturar ativos. Abrir minas novas para substituir as que estão no final de produção.” Segundo ele, a empresa “passou meses bastante difíceis. Chegou um momento em que não havia nenhuma luz no fim do túnel, só um trem vindo em direção contrária”. De acordo com Agnelli, entre o fim do ano passado e o início deste ano, a receita da Vale chegou a cair 90%. “Tivemos que fazer ajustes doloridos e relativamente fortes”, afirmou, em uma referência indireta às cerca de 4 mil demissões que a empresa fez no início do ano. “A situação mudou. A China mantém ritmo forte em sua demanda e isto nos dá condições de planos audaciosos para os próximos anos.”
O executivo também fez uma cobrança ao governo mineiro. “A gente vai acelerar os investimentos em Minas Gerais e estamos pedindo apoio ao governo para nos ajudar a identificar problemas”, afirmou, em uma referência à morosidade do processo de concessão de licenças ambientais.
Do montante de R$ 9,5 bilhões, a maior parte, ou R$ 4,4 bilhões, serão aplicados no desenvolvimento do projeto Apolo, em Santa Bárbara, uma mina nova que poderá produzir 24 milhões de toneladas de minério por ano. Em Itabira, será montada por R$ 2,6 bilhões uma usina para aproveitamento de resíduos, com capacidade para 5 milhões de toneladas de minério por ano. Em Vargem Grande, serão gastos R$ 2,3 bilhões em uma usina de pelotização.
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