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Túneis e trilhos viram poesia nas telas

Nos subterrâneos da cidade, a pintora, desenhista e escritora Diana Dorothéa Danon desenha uma São Paulo que se constrói de uma forma quase invisível. Com aquarelas, ela traz à superfície as nuances desconhecidas da construção do metrô paulistano desde 1972. De lá para cá, produziu mais de 500 gravuras sobre as obras de todas as linhas da Companhia do Metropolitano (Metrô).


A primeira delas, então chamada de Linha Norte-Sul, hoje Linha 1-Azul, foi descoberta pela artista por acaso, quando, em uma de suas andanças em busca das transformações da cidade, viu o canteiro de obras da Estação Vergueiro.


Vi a obra, uma movimentação, e era a Estação Vergueiro. Foi meu primeiro contato com o metrô, disse Diana, no ateliê de seu apartamento, no Condomínio Cícero Prado, projetado pelo russo Gregori Warchavchik (1896-1972), em Santa Cecília, no centro de São Paulo.


Como andava com o material de trabalho – na época, acompanhava as transformações da cidade -, registrou a obra na hora. Na rua, subiu num caminhão da Telesp para conseguir avistar o que era feito no canteiro. Me encantei.

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Pediu autorização à companhia e começou a seguir os canteiros que perfuravam a cidade, de Santana ao Jabaquara. Eles não falaram nada (sobre pagamento) e eu não cobrei nada. Depois, viram a minha obra e vendi tudo.


A partir daí, ela passou a fazer aquarelas de tudo o que encontra nas construções ferroviárias. Para se instalar nas obras com o material de trabalho – normalmente um carrinho com as duas bolsas em que leva a tela, os pincéis e a tinta -, a artista conta com a ajuda dos operários. Eles disputam para levar o material.


É verdade. Diana, que não revela a idade e não dispensa o batom rosa, é venerada pelos operários. Ela é uma figura fantástica, diz o chefe do departamento de Marketing do Metrô, Aluizio Gibson. Diana ajudou a construir a história do Metrô, registrando tudo.


Retrata os operários, as rochas do subsolo, o início das escavações, desce aos túneis ainda enlameados para registrar os primeiros vestígios de obras. O shield, o famoso tatuzão, sempre está nas telas de Diana. Adoro o shield. Registrei o primeiro, na Linha Norte-Sul.


Hoje, a empresa contrata Diana para retratar a expansão das linhas. Mas, quando não tinha verba para me contratar, eu fazia do mesmo jeito.


De volta à superfície, Diana retratava as mudanças pelas quais a cidade passava, boa parte delas por causa do metrô. O resultado foi o livro São Paulo: Belle Époque. Aos que se perguntam o que levou uma jovem recém-formada pela Escola Superior de Belas Artes a viver retratando túneis, estações, operários e pátios de manobra, Diana tem uma resposta objetiva: O meu entorno vai mudando e eu vou seguindo. Gosto de voltar ao mesmo sítio e documentar a metamorfose.


É essa a palavra que define suas quatro passagens pela Luz – primeiro, desenhou a Igreja de São Cristóvão. Depois, a Estação da Luz, que fez parte da belle époque. Voltou depois, para pintar as obras do metrô. Agora, está lá para desenhar a Linha 4.

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Fonte: O Estado de São Paulo

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