A Pesquisa CNT de Ferrovias 2009, divulgada nesta quinta-feira, 17, pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), em Brasília, traça um panorama da situação do transporte por ferrovias no Brasil, após a concessão das malhas federais ao setor privado, a partir de 1996.
Responsável por 25% do transporte de cargas do país, o modal tem como características a alta competitividade de transporte para grandes volumes e a longas distâncias, além de ser seguro, econômico e menos poluente.
A pesquisa foi dividida em dois focos de avaliação de 13corredores ferroviários estratégicos. O primeiro é voltado para a operação, com indicadores de desempenho fornecidos pelas concessionárias, como a velocidade operacional. No segundo, foi coletada a opinião dos clientes (embarcadores de carga), sobre o serviço oferecido.
Em mais de 50% dos principais corredores ferroviários do país, a imagem que os usuários têm sobre a qualidade do serviço melhorou nos últimos anos. Esta avaliação é verificada em termos de ampliação da capacidade de movimentação, do melhor desempenho operacional e da maior integração com outras modalidades de transporte.
Também passou a ser maior o uso das ferrovias após as concessões. Entretanto, os gargalos ainda precisam de uma solução. São 12.289 passagens de nível, sendo 2.659 críticas, e 327 invasões de faixa de domínio. Soma-se a necessidade de expansão da malha para agregar mais clientes e ampliar a participação na matriz de transportes.
Neste ano, uma novidade da 3ª edição da pesquisa é a apresentação de soluções para alguns gargalos. Em relação às passagens críticas de nível, a pesquisa aponta a necessidade de criação de um programa específico de obras nesses cruzamentos.
Com a realização da Pesquisa CNT de Ferrovias 2009, os transportadores oferecem ao país informações fundamentais ao planejamento e à superação dos principais gargalos, contribuindo para a consolidação e ampliação do transporte ferroviário no Brasil.
Confira alguns dados da pesquisa abaixo:
Período de execução: novembro e dezembro de 2009
Corredores ferroviários avaliados: 13
ð São Luís
ð Intrarregional Nordeste
ð Vitória
ð São Paulo -Centro-Oeste
ð São Paulo –Nordeste
ð Rio de Janeiro -Belo Horizonte
ð Rio de Janeiro -São Paulo
ð Santos Bitola Larga
ð Santos Bitola Estreita
ð Paranaguá
ð São Francisco do Sul
ð Rio Grande
ð Imbituba
Amostra de clientes dos corredores pesquisados: 131
Corredores:
Baixas velocidades operacionais:
ð média nacional estimada:25 Km/h
ð na transposição de regiões metropolitanas: 5 km/h
ð corredores avaliados: máxima – 63,0 km/h, mínima – 10,5 km/h
Clientes:
Atratividade de novos clientes: em 8 dos 13 corredores a maior parte dos atuais clientes passou a utilizar a ferrovia nos últimos 11 anos (após a concessão)
Terminais de carga/descarga próprios dos clientes: 865 terminais
Entraves: custo do frete, confiabilidade dos prazos e falta de disponibilidade de vagões especializados
Indicaçõesda Pesquisa:
Elevado número de invasões na faixa de domínio (327), de passagens de nível críticas (2.659 de 12.289 existentes), compartilhamento de linhas com trens de passageiros, comprometimento dos acessos aos portos;
Necessidade de ampliação da rede atual de 29.817 km para 40.827 km (Plano CNT de Logística);
Valor estimado de investimentos R$ 54,5 bilhões para a configuração da rede ideal de infraestrutura ferroviária (Plano CNT de Logística) sendo o valor de R$ 25,8 bilhões para investimento em projetos prioritários de eliminação de gargalos (R$ 8,1 bilhões) e expansão (R$ 17,7 bilhões);
Construção do trecho Alto Araguaia – Rondonópolis/MT (260 km); construção do trecho Inocência – Água Clara/MS (350 km); construção da Nova Transnordestina (5.400 km); construção da Ferrovia Oeste-Leste/BA (5.993 km); Variante Ferroviária Litorânea Sul/ES (2.030 km); ampliação da malha ferroviária em Santa Catarina (1.680 km); construção do segmento Aguiarnópolis – Palmas/TO do trecho norte da Ferrovia Norte-Sul (1.470 km).
Clique aqui para ver a pesquisa na íntegra.
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