Antes privilégio das grandes metrópoles, o transporte urbano sobre trilhos voltou à agenda dos municípios numa tentativa de aumentar a oferta de transporte público. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo (confira a reportagem) mostra que somente as capitais brasileiras mantêm projetos para 700,1 quilômetros de trens, metrôs, monotrilhos e outros modelos do gênero – mais que a distância entre São Paulo e Belo Horizonte.
Isso significa também dez vezes mais que toda a rede de metrô da capital paulista, implementada a duras penas em uma velocidade de 1,5 km por ano desde 1968. A imensa maioria dos projetos de expansão da rede metroviária será financiada pelo PAC da Mobilidade Urbana, que promete investir R$ 5 bilhões em obras de infraestrutura de transportes.
A grande vedete do transporte metropolitano será os Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), modelo que se tornou símbolo de modernidade e que pode ser adotado por 13 das 27 capitais. Isso sem falar em municípios discretos, como Arapiraca (AL), Cariri (CE) e Maringá (PR), que também estudam projetos de VLTs. Há alguns bons projetos, mas outros são claramente projetos de ocasião, diz o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Marcos Bicalho.
Entre os especialistas, não há consenso sobre se foi o Brasil que descobriu um modelo novo para o transporte ou se foram as empresas estrangeiras que encontraram no País um grande mercado potencial. Há claramente uma ofensiva das multinacionais. Isso não é um problema, desde que as cidades façam estudos adequados de viabilidade, completa Bicalho.
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Os VLTs são trens de até 40 metros de comprimento, que trafegam necessariamente na superfície. Eles podem percorrer vias segregadas e interagir com o ambiente, funcionando como bondes modernos. É um modelo amigável com a cidade, enquanto o ônibus é mais agressivo e contribui para degradar, diz Peter Alouche, consultor e especialista em VLTs.
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