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Siemens estreia no Brasil trem sem condutor

O início da operação da Linha 4 do Metrô paulistano terá para a Siemens o efeito da inauguração de um showroom. A companhia é a fornecedora do sistema de automação que permitirá que os trens do novo trecho rodem sem a necessidade de condutor. Será o primeiro do gênero a funcionar no Brasil e dará novo impulso à companhia alemã na disputa por este mercado no país.


Uma de suas principais rivais, a Alstom venceu em 2008 a concorrência para a atualização dos sistemas de sinalização e controle das linhas 1, 2 e 3 do Metrô paulistano, que já funcionam. O contrato, de 280 milhões de euros, está em implantação e, pelas previsões iniciais, deverá ficar pronto ainda neste ano. Quando estiver em funcionamento, a tecnologia da Alstom também dispensará condutores. O que significa que a companhia francesa terá também o que mostrar, em breve.


Na disputa com a Alstom, a Siemens quer mostrar, entre outras coisas, que a autonomia de seus trens pode ser maior que a dos concorrentes. Em especial, quando ocorrerem problemas. “Em caso de pane, nosso sistema se autoavalia e é capaz de levar o trem até a garagem sozinho”, diz o executivo.


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O volume de negócios na área ainda em aberto no país é significativo. “Este é um mercado com potencial de R$ 1,5 bilhão, nos próximos quatro anos”, diz Paulo Alvarenga, diretor executivo da divisão de mobilidade da Siemens. E está concentrado basicamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde há adensamento urbano que justifique o investimento. “Pela redução de custo com pessoal, não valeria a pena”, afirma o executivo.


Segundo estimativas do mercado, o investimento médio necessário para a adaptação ou implantação de sistemas automatizados de sinalização e controle, é atualmente, de aproximadamente R$ 300 milhões. O valor de cada projeto varia de acordo com o comprimento e a densidade das linhas.


Apertem os cintos


A imagem de um veículo sem condutor costuma amedrontar a maioria das pessoas. Não à toa, há uma comédia cujo título em português é “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”. A justificativa para a adoção de sistemas de controle totalmente automatizados, que dispensam condutor, porém, é justamente a segurança. Pelo menos em tese, as máquinas são as mais precisas e rápidas que os seres humanos na hora de reagir a um imprevisto e evitar o choque entre trens.


Com mais segurança, mais trens podem rodar ao mesmo tempo nas linhas, respeitando intervalos menos de espera nas estações e atingindo maior volume de pessoas a serem transportadas. “A Linha 2 (Verde) do Metrô paulistano é provavelmente uma das mais densas do mundo”, diz Alvarenga. “Você colocar um trem a cada minuto e meio em vez de um trem a cada 2 minutos faz muita diferença. É uma composição a mais, num intervalo de seis minutos”, diz o executivo.


De acordo com a Secretaria de Transportes Metropolitanos, quando o novo sistema de sinalização do Metrô entrar em funcionamento, os atuais intervalos serão reduzidos de 109 para 87 segundos, na Linha 1 – Azul; de 137 para 97 segundos, na Linha 2 – Verde; e de 101 para 82 segundos, na Linha 3 – Vermelha. O aumento da frequência depende também da conclusão das reformas de 98 trens e da entrega de outros 33 novos. Na linha 4, a expectativa é de que circulem diariamente 900 mil pessoas. A espera entre os trens deverá ser de 90 segundos.

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Fonte: Brasil Econômico

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