Depois de fechar o primeiro trimestre com forte crescimento em comparação com o mesmo período de 2009, o grupo Randon, fabricante de semirreboques rodoviários, vagões ferroviários, veículos especiais e autopeças, sinalizou que poderá rever para cima as projeções para 2010. Segundo o diretor de relações com investidores, Astor Schmitt, a empresa vai manter a prática de reavaliar apenas em junho ou julho as projeções para o ano, mas “no momento” os números “parecem conservadores”.
Anunciadas no fim de janeiro, as previsões da Randon incluem receita bruta total (sem eliminação dos negócios entre controladas) de R$ 4 bilhões neste ano, ante R$ 3,7 bilhões em 2009. A receita líquida consolidada é estimada em R$ 2,8 bilhões, ante R$ 2,5 bilhões.
No primeiro trimestre, o crescimento foi de 44,4% no faturamento bruto total, para R$ 1,18 bilhão, e de 45,7% na receita líquida consolidada, para R$ 782,7 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) subiu 75,5%, para R$ 115 milhões, enquanto o lucro líquido avançou 50,8%, para R$ 40,4 milhões.
Conforme Schmitt, o trimestre foi marcado por “pressões de custos” nos segmentos petroquímico e de aços planos. Mesmo assim, a empresa obteve margem bruta de 24,2%, um ponto percentual a mais que nos três primeiros meses de 2009 e 0,8 ponto acima do acumulado do ano passado, graças ao aumento da escala e ajuste de preços.
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“Os números foram excepcionais, mas há que se relativizar porque o início de 2009 foi o auge da crise”, comentou o executivo. Segundo ele, o desempenho no mercado interno foi puxado pela demanda do setor de transporte de cargas, da indústria de veículos comerciais e do segmento de obras públicas ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As exportações, que cresceram 42%, para US$ 48,6 milhões, refletem a recuperação do mercado americano e também da África, um cliente tradicional de semirreboques.
Na opinião do diretor, a dúvida que fica para este ano é sobre o tamanho do aperto que o governo vai promover nos juros básicos para conter a inflação, assim como o impacto da crise grega sobre o mercado internacional. Outra incógnita é se o próximo governo vai manter as condições de financiamento facilitadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Até julho a Randon pretende inaugurar o banco próprio, que vai se concentrar no financiamento de clientes e fornecedores, explicou Schmitt. A instituição, constituída com capital inicial de R$ 25 milhões, será focada no repasse de linhas do BNDES, que bancam 65% das vendas do grupo, e em operações de crédito direto aos clientes.
Segundo o executivo, os investimentos no trimestre somaram R$ 21,6 milhões, ante R$ 38 milhões no mesmo período de 2009. Os aportes totais programados para 2010 são de R$ 200 milhões (contra R$ 123,3 milhões no ano passado) em projetos de manutenção, modernização das linhas de produção e lançamentos de produtos, já que com a demanda mais fraca de 2009 o grupo tem capacidade disponível para crescer neste ano.
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