Depois do forte crescimento das vendas no primeiro semestre, a Randon, fabricante de semirreboques rodoviários, vagões ferroviários, autopeças e sistemas, reviu de R$ 2,8 bilhões para o patamar recorde de R$ 3,4 bilhões a previsão de receita líquida consolidada em 2010. O desempenho esperado supera em quase R$ 1 bilhão o montante apurado no ano passado e em R$ 341 milhões, em valores nominais, o resultado de 2008, o melhor registrado pelo conglomerado até então. A receita bruta total, sem eliminação das vendas entre coligadas e controladas, é prevista agora em R$ 5 bilhões, 25% a mais do que a estimativa original.
“Quando fizemos as previsões, no fim de 2009, trabalhávamos com um cenário de crescimento de 4% para o PIB, mas hoje já se fala em mais de 6%”, disse o diretor corporativo de relações com investidores, Astor Schmitt. A projeção para as exportações também foi revista, de US$ 190 milhões para US$ 220 milhões, bem acima dos US$ 164 milhões de 2009, mas ainda abaixo dos US$ 287 milhões do ano anterior.
No segundo trimestre, a Randon apurou lucro líquido de R$ 63,8 milhões, com alta de 43,4% sobre o mesmo período de 2009. A receita bruta avançou 52,5%, para R$ 1,4 bilhão, sendo US$ 64 milhões com exportações (alta de 65,5%), enquanto a receita líquida subiu 48%, para R$ 918,6 milhões.
Segundo Schmitt, a retomada da demanda, impulsionada pelo crescimento do setor de transporte de produtos agrícolas, industriais e minerais, permitiu ao grupo recompor margens graças à recuperação de preços e ao aumento da escala de produção. Com isso, a Randon obteve margem bruta de 24,9%, contra 23,2% no segundo trimestre do ano passado. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) cresceu 76,7%, para R$ 139,6 milhões.
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O executivo atribuiu o desempenho no Brasil ao crescimento da renda e do consumo e também à expansão da produção agrícola e industrial, beneficiada por medidas “anticíclicas” adotadas pelo governo federal, como as desonerações fiscais e as melhores condições de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No exterior, a expansão está sendo puxada pela retomada das vendas de autopeças na América do Norte e de implementos rodoviários na América Latina e na África, explicou Schmitt. No primeiro semestre, o grupo também iniciou a produção de eixos para semirreboques e caminhões nas instalações da controlada Fras-le (fabricante de pastilhas e lonas de freio) na Argentina, numa operação conjunta com a coligada Suspensys.
Conforme o diretor, a produção no país vizinho atende à recuperação dos negócios no mercado local e também passou a suprir a planta da Randon Argentina, que iniciou as exportações de semirreboques para Chile e Paraguai e de caixas de cargas de implementos basculantes para o Brasil. “Foi também uma forma de desafogar a produção aqui, que está sobrecarregada.”
Schmitt não detalhou o montante aplicado nas novas operações na Argentina, mas a previsão de investimentos do grupo para 2010 foi mantida em R$ 200 milhões, ante R$ 123 milhões em 2009. No segundo trimestre, o segmento de autopeças respondeu por 50,7% da receita líquida da Randon, enquanto veículos e implementos representaram 48% e a venda de consórcios, 1,3%.
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