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Complexos naval e ferroviário vivem boom de investimentos

No início de maio, um navio de grande porte tipo Suezmax, com capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo, foi lançado ao mar no porto de Suape (PE). Construído pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS) foi o primeiro de uma série de 49 petroleiros encomendados pela Transpetro que estão sendo apontados como a ponta de lança da retomada da indústria naval brasileira.


Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparos Naval (Sinaval), os estaleiros instalados no país registram em carteira pedidos que somam 132 embarcações. Além da Transpetro, a venezuelana PDVSA também contratou 10 embarcações aos estaleiros brasileiros e a Log-In, empresa de logística ligada à Vale, é outro cliente que se destaca com 4 porta-contêineres e 2 navios graneleiros. A carteira de encomendas dos estaleiros nacionais, segundo o sindicato, também é formada por 12 plataformas para produção de petróleo em alto mar e 12 sondas de perfuração.


Essas encomendas geram investimentos nacionais e estrangeiros na indústria naval. Conforme os dados do Sinaval, em abril de 2010 existiam 17 estaleiros em fase de implantação no país, que somavam investimentos de R$ 7,3 bilhões, e outros 5 passando por reformas e ampliações, contabilizando R$441 milhões investidos. Fornecedores de equipamentos para a indústria naval também passaram a olhar o Brasil com interesse, como a alemã Voith Turbo que, em agosto, anunciou que produzirá propulsores para embarcações de apoio, navios sonda e plataformas de petróleo em sua fábrica em São Paulo.


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O transporte ferroviário também vive um boom de investimentos atendido principalmente por empresas instaladas no país. Segundo Vicente Abate, vice-presidente do Comitê Ferroviário da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), a indústria ferroviária nacional faturou R$ 2,1 bilhões em 2009 e deve alcançar R$ 3 bilhões neste ano. Nos últimos sete anos, investiu R$ 1 bilhão para ampliar a capacidade produtiva para ampliar a capacidade produtiva para atender a demanda do país.


No primeiro momento, o que impulsionou os investimentos foram as encomendas das empresas de logística ferroviária. Desde 1997, quando o segmento passou da gestão pública para a privada, as concessionárias investiram R$ 21 bilhões para modernizar vagões, locomotivas e trilhos. Na última década, a indústria nacional forneceu 28.200 vagões. Neste ano, deverão ser entregues outros 3 mil e a expectativa para os próximos dois anos é de atender encomendas de 8 mil vagões.


Agora também os pedidos das transportadoras de passageiros animam as indústrias do setor. O principal cliente é o governo do estado de São Paulo, que tem um plano de expansão e modernização da malha ferroviária orçado em R$ 23 bilhões. O metrô deverá saltar dos atuais 65 km de linhas férreas para 80 km e 162 km da malha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos serão modernizadas. As encomendas para a indústria somam 1098 novos carros (vagões de passageiros) e a modernização de 600.


As encomendas ferroviárias motivaram a fabricante espanhola Construções e Auxiliar de Ferrovias (CAF) a inaugurar em março sua fábrica no Brasil, no interior paulista, e a AmstedMaxion, fabricante de vagões de carga em Hortolândia, a anunciar sua entrada no mercado de locomotivas a diesel-hidráulicas. Como relata Abate, o índice de nacionalização do setor já é superior a 80%.

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Fonte: Brasil Econômico

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