Reunidos em um seminário na sede da Confederação Nacional do Transporte (CNT) nessa terça-feira (16), representantes de universidades destacaram que a capacitação profissional é uma das principais necessidades relacionadas ao desenvolvimento do setor ferroviário na atualidade. Eles sugeriram à Frente Parlamentar Mista de Ferrovias, promotora do evento, medidas para suprir a atual demanda de profissionais qualificados.
O pesquisador e professor de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Fernando Marques Nogueira, anunciou que a instituição vai criar, nos próximos anos, um curso de graduação em Engenharia Ferroviária. A intenção é aproveitar o potencial ferroviário da região para desenvolver um curso pioneiro no Brasil. “Existem fatores favoráveis como a tecnologia nacional defasada e o trânsito cada vez mais caótico”, justificou.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou uma alternativa que, segundo o especialista em Engenharia de Transportes, Nilson Tadeu Nunes, traz outra solução. “Se criarmos cursos profissionalizantes específicos, regionais, conseguiremos dar uma resposta mais rápida ao mercado”, explicou. Segundo ele, a capacitação profissional via universidade tem um percurso mais demorado. Exige, por exemplo, aprovação de projetos em muitas instâncias.
O diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), José Roberto Cardoso, trouxe dados preocupantes. Afirmou que dos 7.500 engenheiros civis graduados todos os anos no Brasil, apenas 5% se especializam na carreira de transportes. “A área atrai poucos estudantes. Isso é reflexo de um passado em que as ferrovias foram esquecidas”, disse. Ela também recomendou a criação de um Centro de Pesquisa Ferroviária no Brasil.
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A pesquisadora do Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Thaís Ventura, sugeriu que a capacitação profissional seja feita por meio da modalidade de Ensino à Distância. O representante do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Paulo Rech, pediu a construção de um programa de incentivo à indústria metroferroviária, com o apoio do Ministério dos Transportes e de Ciência e Tecnologia. Rech também reivindicou mais diálogo entre as instituições, troca de experiências.
O coordenador da Frente Parlamentar Mista das Ferrovias, deputado Pedro Uczai (PT-SC), acertou com os participantes a criação de um grupo de trabalho com a participação dos setores interessados. Entre as medidas, por exemplo, a intenção é discutir ações para criar cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Ferroviária, buscar financiamento junto ao governo para novos projetos e criar um centro de estudos nessa área, com estímulo à criação de uma indústria ferroviária nacional.
Diferencial
O diretor executivo da CNT, Bruno Batista, disse que a profissionalização, sob o ponto de vista empresarial, pode ser vista como uma estratégia de diferenciação no mercado e garantia de produtos de qualidade. Ele destacou que a CNT e o Sest Senat têm interesse em desenvolver mais cursos de capacitação voltados ao setor ferroviário, com integração de modalidades. “Esse incentivo à qualificação não pode ser visto como gasto. É investimento”, frisou.
O presidente da Seção de Transporte Ferroviário da CNT, Rodrigo Vilaça, elogiou a iniciativa do seminário. “É preciso juntar esforços para resgatarmos essa necessidade de capacitação. Contem com nosso apoio porque toda iniciativa voltada à preparação desses recursos humanos é muito importante para o setor”, afirmou Vilaça, que também é presidente executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
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