Ferrovia ligará Bahia e Espírito Santo

A construção de um porto no Norte do Estado, feito pelo presidente do Corredor Atlântico do Mercosul (CAM), Paulo Augusto Vivácqua, um dos idealizadores do empreendimento, viabilizará a construção da Ferrovia Litorânea Norte (FLN), ligando Taquari, no Sul da Bahia, ao Porto de Barra do Riacho, interligando-se ali com a estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). A ferrovia terá 320 quilômetros de extensão, com um ramal de 16 quilômetros de acesso á Suzano Papel e passando por dentro da Reserva Biológica de Sooretama, em Linhares, margeando a Rodovia BR 101. O projeto é o de número 79 da Agenda ES 2025.


O novo terminal portuário, que deverá ser implantado em Mucuri, no Sul da Bahia, ou Conceição da Barra, São Mateus ou Linhares, no Norte do Espírito Santo, terá investimento de R$ 1,2 bilhão, sendo destinado ao escoamento de cargas produzidas nos municípios capixabas, no Brasil Central e em Minas Gerais. O consórcio que construirá o porto já está articulado e a proposta, que ainda está em fase inicial de discussão, poderá ser implementada nos próximos dois anos.


A construção do Porto Norte (nome provisório) irá viabilizar a construção do ramal ferroviário ligando o Espírito Santo ao sistema ferroviário do Centro-Leste e, futuramente, à Ferrovia Transcontinental, que interligará a malha ferroviária do país ao Oceano Pacífico, por meio do Porto de Bayovar, no Peru.


O Porto do Norte deverá ter uma área de cerca de 20 mil hectares e terminais para a movimentação de contêineres, carga geral e granéis sólidos, uma espécie de “hub port” (porto concentrador de cargas e de linhas de navegação). Paulo Augusto Vivácqua revelou que o porto é viável somente com o volume de cargas já levantadas. As principais cargas exportadas por Minas Gerais são os minérios, metalurgia, agroalimentos, veículos, produtos químicos, máquinas, eletroeletrônicos e têxteis. As principais cargas embarcadas nos portos do Espírito Santo são celulose, minérios, produtos siderúrgicos, granéis e combustíveis.


As cargas já identificadas do Norte do Espírito Santo são os produtos agrícolas e minerais, além dos que virão a partir da implantação do polo gás-químico em Linhares. Da Bahia, os produtos florestais (madeira e celulose). Do Brasil Central, a carga mais importante seriam os grãos que hoje são embarcados nos portos de Paranaguá (PR) e Tubarão (Serra).


Ferrovia Litorânea Norte


O projeto de Implantação da Ferrovia Litorânea Norte (FLN), prevê a interligação da malha ferroviária do Espírito Santo ao Norte do Estado e ao Sul da Bahia. As cargas do Norte do Espírito Santo como madeira, rochas ornamentais e álcool têm perspectivas de crescimento e necessidade de escoamento para exportação. Esses produtos, devido às suas particularidades de volume e peso necessitam de logística específica de transporte para o acesso ao complexo portuário do Estado.


O “Protocolo de Intenções da Ferrovia Litorânea Norte”, que define as condições para a sua viabilização, foi desenvolvido pela Agência de Desenvolvimento em Rede do Espírito Santo (Aderes) e assinado em 06 de março de 1998 pelas seguintes empresas: Aderes, Aracruz Celulose (atual Fibria), Bahia-Sul Celulose (atual Suzano Papel), Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), Vale, Serviços Ferroviários Intermodais do Rio Doce (Interférrea), Terminal Especializado de Barra do Riacho (Portocel), Sindicato do Comércio de Importação e Exportação do Espírito Santo (Sindiex) e Veracruz Celulose (Veracel). O estudo foi acompanhado pela Prefeitura de Aracruz e Petrobras Distribuidora.


A construção da Ferrovia Litorânea Norte (FLN) trará consideráveis benefícios ao Espírito Santo e Bahia, com a redução do “custo logístico” nas contas “transportes” – menores fretes – e “petróleo” – menor consumo de diesel -, reduzirá os gastos com a malha rodoviária, principalmente a BR-101, hoje degradada pelo transporte de cargas tipicamente ferroviárias, como madeira em toras, combustíveis, granéis sólidos, celulose, granito, mármore e veículos, levará à redução do número de acidentes rodoviários com a retirada das carretas de circulação e permitirá uma melhoria nas condições do meio-ambiente.


A Ferrovia Litorânea Norte, em sua primeira viabilidade econômica, contava com grandes fluxos de produtos das fábricas de celulose, que hoje são transportados por cabotagem por meio de barcaças, entre Belmonte, na Bahia, e Barra do Riacho. Outra parcela de carga de sua área de influência que foi reduzida são as movimentações de granitos, que atualmente podem ser transportados pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, com a operação do Terminal de Colatina. Esses fatores, hoje irreais, levaram ao adiamento do projeto, que pode ser retomado no próximo ano.


BR 101 defasada


O desenvolvimento da Região Norte do Espírito Santo, destacando-se os municípios situados acima do rio Doce, depende de uma infraestrutura de transporte adequada e eficiente. Mas com a implantação da Aracruz Celulose e da Bahia-Sul Celulose, a Rodovia BR-101, que foi o elo de união da região com Vitória e o resto do país, passou a ser a única via de transporte de madeira em toras e produtos destas indústrias. Hoje, o número e o tipo de veículos que trafegam no trecho já são incompatíveis com a capacidade de projeto da rodovia, chegando ao limite da saturação e trazendo sérios problemas quanto à segurança e ao meio ambiente. O estudo de viabilidade anterior, de 1992, já alertava para o problema.


A perspectiva que se tem da BR-101, via única atual do fluxo de madeira em toras para as indústrias de celulose, envolve um quadro de insegurança e riscos, especialmente porque a rodovia apresenta há alguns anos problemas e efeitos da acumulação de veículos nos dois sentidos de tráfego, e expectativa de conflitos com a política ambientalista vigente.


O transporte de madeira de eucalipto em imensas carretas com reboques, com velocidade limitada em 60 quilômetros por hora, é um entrave ao desenvolvimento regional, pois utiliza, praticamente, toda a capacidade da rodovia no trecho entre Conceição da Barra e Aracruz, no Espírito Santo, e Mucuri e Eunápolis, no Sul da Bahia, dificultando a implantação de novas unidades industriais e restringindo a indústria do turismo.


Como não há alternativa de transporte disponível, é de se esperar que problemas maiores ocorram, agregando custos não previstos para as indústrias e toda a comunidade, principalmente aquelas que são cortadas pela rodovia, como Linhares e São Mateus. As próprias indústrias vêem as condições de suprimento de madeira em toras – seu principal insumo -, e do escoamento da produção se deteriorando, trazendo incertezas quanto à garantia de fluxo contínuo. O transporte por barcaças, entre Caravelas (BA) e Aracruz, reduziu o tráfego de carretas, mas em volume que não reduz os problemas com o transporte rodoviário.


A construção da Ferrovia Litorânea Norte (FLN) trará consideráveis benefícios ao Espírito Santo e Bahia, com a redução do “custo logístico” nas contas “transportes” – menores fretes – e “petróleo” – menor consumo de diesel -, reduzirá os gastos com a malha rodoviária, principalmente a BR-101, hoje degradada pelo transporte de cargas tipicamente ferroviárias, como madeira em toras, combustíveis, granéis sólidos, celulose, granito, mármore e veículos, levará à redução do número de acidentes rodoviários com a retirada das carretas de circulação e permitirá uma melhoria nas condições do meio-ambiente.


A Ferrovia Litorânea Norte, em sua primeira viabilidade econômica, contava com grandes fluxos de produtos das fábricas de celulose, que hoje são transportados por cabotagem por meio de barcaças, entre Belmonte, na Bahia, e Barra do Riacho. Outra parcela de carga de sua área de influência que foi reduzida são as movimentações de granitos, que atualmente podem ser transportados pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, com a operação do Terminal de Colatina

Fonte: Jornal Folha do Litoral

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