Expansão de linhas nem sempre significa mais conforto

A pane desta quarta-feira (14) nos trens e no metrô de São Paulo revelou uma situação comum às grandes cidades do país. Novas linhas e estações nem sempre significam mais conforto.


Passageiros se esbarrando. Outros quase esmagados pela porta. Esta quinta-feira (16) foi mais um dia de superlotação nos trens e no metrô de São Paulo. “Todo mundo espremido. Fica difícil assim”, diz uma passageira.


As quatro panes que prejudicaram cerca de 200 mil pessoas, na quarta-feira, são um sinal de que o sistema sobre trilhos da maior cidade do país opera no limite, diz o professor de transporte público da USP Jaime Waisman: “Não existem soluções mágicas. Nós temos uma herança maldita do passado, onde pouco ou quase nada se fez. Então, agora, para tirar essa defasagem e partir para uma situação mais confortável vai demandar algum tempo”.


A carência de transporte público é tão grande que até agora o investimento não se traduziu em conforto para o passageiro. Uma estação que integra metrô e trem, e é uma das mais novas de São Paulo, é um exemplo. Desde que foi inaugurada, vive lotada.


Situação que se repete nas grandes metrópoles. Nos últimos dez anos, o sistema de trens e metrô de São Paulo ganhou 26,5 quilômetros. Mas construir novas linhas ou estações nem sempre resulta em mais satisfação.magine uma cidade que tem rede restrita, com três linhas de metro, a amarela, a azul e a vermelha. Se uma quarta, a verde, é construída, quem mora ou trabalha ao longo da nova linha deve se tornar usuário também. Mas estes novos passageiros não vão ficar apenas nesta linha. Poderão usá-la para alcançar as outras. Eles mudam os trajetos, o que acaba sobrecarregando alguns trechos e desafogando outros.


Só em 2011, aumentou em 1,4 milhão o número de passageiros que o metrô e os trens de São Paulo transportam por dia. A cidade tem 33 mil habitantes por quilômetro de metrô e trem. Em Londres, a média é de 16 mil. Em Belo Horizonte, que tem apenas metrô, esse número passa de 88 mil.


O crescimento da economia, que faz mais pessoas se deslocarem, e o congestionamento nas ruas também contribuem para sobrecarregar o transporte coletivo. Com a construção de novas linhas e a compra de mais trens, o presidente do Metrô de São Paulo, Sérgio Avelleda, prevê um alívio para os passageiros a partir de 2014. E diz que só o transporte sobre trilhos, não resolve o problema das grades cidades: “Nós precisamos investir na integração dos meios de transporte, corredores de ônibus, a integração dos ônibus com metrô e expandir o metrô. Portanto, o segredo é melhorar o planejamento da cidade, melhorar a integração e expandir o sistema”, avalia.

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Fonte: Jornal Nacional

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