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Lwarcel se prepara para expansão de R$ 2 bilhões

Pequena em terra de gigantes, e pouco conhecida, a Lwarcel Celulose, que faz celulose branqueada de eucalipto no interior de São Paulo e é controlada pela família Trecenti, quer ganhar musculatura e garantir presença mundial em um mercado hoje dominado por suas pares brasileiras Fibria e Suzano Papel e Celulose. Com capacidade instalada para 250 mil toneladas anuais – equivalente a um sexto do volume que pode produzir sozinha uma modernas linha de celulose, como a que está montando a Eldorado Brasil -, a empresa se prepara para investir R$ 2 bilhões e alcançar a marca de 1 milhão de toneladas de produção.


É um passo ousado e a decisão pelo investimento está praticamente tomada, diante da necessidade de ganhar escala e assegurar a sobrevivência em uma indústria que está em pleno de ciclo de crescimento. Até agora, a aposta em tecnologia de ponta e melhores práticas garantiu à Lwarcel custos competitivos e clientela cativa. Contudo, manter-se no páreo, competindo com concorrentes robustas, dependerá da nova rodada de investimentos.


As discussões sobre o tema começaram há três ou quatro anos e devem ser levadas à aprovação do conselho na segunda metade de 2013. Mas o cronograma de implantação ainda não é definitivo. Neste momento, é certo que o projeto entrará em operação “a partir” de 2016, prazo mínimo para que a base florestal necessária esteja formada e para execução dos investimentos industriais.


Até lá, a Lwarcel vai buscar um sócio para o empreendimento, seja ele de natureza meramente financeira ou de perfil operacional, aos moldes da parceria que a sueco-finlandesa Stora Enso firmou com a Fibria para constituição da Veracel, joint venture que opera uma fábrica de celulose no sul da Bahia. Interessa ao grupo, contudo, manter o controle do negócio.

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O presidente do grupo Lwart, Carlos Renato Trecenti, da segunda geração da família fundadora, relata que a estrutura financeira do projeto de expansão está em aberto. Recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tradicional financiador dessa indústria, deverão ser contemplados, bem como outras fontes habituais.


Entre 2000 e 2006, a Lwarcel investiu cerca de meio milhão de reais em sua operação, o que praticamente resultou na substituição da fábrica antiga por uma nova. Mais recentemente, o grupo desembolsou outros R$ 100 milhões para instalar uma termelétrica movida a biomassa, que agregou 16 megawatts (MW) à capacidade de geração do grupo.


Hoje, com 30 MW instalados, o grupo é autossuficiente – uma parte do vapor da fábrica da Lwarcel, em Lençóis, segue por um duto de quatro quilômetros até uma das unidades da Lwart Lubrificantes e é usada no processo industrial. Executado o projeto de expansão, haverá sobra de energia de 22 MW, que será vendida.


A Lwarcel já tem em mãos a engenharia conceitual da expansão, executada pela finlandesa Pöyry. O projeto prevê a implantação de uma “nova” fábrica de celulose de eucalipto, com capacidade de produção de 750 mil toneladas por ano, na mesma área em que funciona a unidade atual, no município de Lençóis Paulista.


De acordo com o diretor da empresa, Luís Antônio Künzel, há garantia de compra de terrenos vizinhos, que viabilizarão a expansão. “Somente na parte industrial, os investimentos girariam em torno de R$ 2 bilhões”, informa o executivo. Outros R$ 400 milhões já começaram a ser aportados na base florestal, que vai sendo ampliada enquanto a empresa aguarda o licenciamento ambiental.


Para suprir a unidade expandida, diz Künzel, serão necessários 90 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto – sem contar a área de preservação. Hoje, a Lwarcel conta com 43 mil hectares de plantio, com raio médio de 60 quilômetros e presença em 28 municípios – essa distância entre florestas e fábrica subirá a 115 quilômetros médios e a empresa estará presente, direta ou indiretamente, em mais de 60 cidades.


A produção adicional também permitirá à empresa alterar seu mapa de vendas. Atualmente, cerca de 75% da celulose que produz é comercializada no país. O restante é exportado para a Europa, com destaque para a Alemanha, e outras regiões. Inaugurada a “nova” fábrica, o maior volume deverá ser direcionado para o mercado externo, com destaque para os países asiáticos – o mix de clientes deverá permanecer diversificado, entre produtores de papéis de imprimir e escrever, tissue (absorvente), embalagens, entre outros.


O transporte da celulose até o Porto de Santos também será alterado. Hoje, a fibra é escoada para os clientes por rodovias. Com maior escala, será possível firmar contratos com operadoras ferroviárias – tanto ALL quanto MRS têm linha ou ramais nas proximidades de Lençóis -, o que deverá reduzir custos com logística. “Com escala, faz mais sentido investir em vagões”, explica Trecenti.

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