A Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S. A., empresa pública ligada ao Ministério dos Transportes, contratará, a partir do próximo mês, os estudos de viabilidade técnica para a construção de duas ferrovias no Paraná: a extensão da Norte-Sul e um novo ramal ligando a região Oeste a Paranaguá. O anúncio foi feito esta semana, em Brasília, durante audiência da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, que teve a participação de representantes do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
“Nos últimos meses, a Fiep e as principais entidades empresariais do Estado vêm concentrando esforços na articulação junto ao ministério para fazer com que as novas ferrovias atendam aos interesses do setor produtivo paranaense”, disse o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, que coordena o Conselho de Infraestrutura da entidade. No caso da Norte-Sul, a Fiep defende um traçado que vá de Panorama (SP) a Chapecó (SC), passando por municípios como Maringá, Campo Mourão, Cascavel e Pato Branco. Na sequência, a ferrovia seguirá até o porto de Rio Grande (RS).
“A posição de consenso dos três estados do Sul representados na audiência em Brasília é que a ferrovia Norte-Sul deve contemplar as regiões produtoras e consumidoras de grãos”, explicou o consultor do Conselho de Infraestrutura da Fiep, João Arthur Mohr, que participou do encontro na Câmara. “Por isso defendemos um traçado que passe pelas regiões Noroeste, Oeste e Sudoeste do Paraná”, completou.
O diretor de Planejamento da Valec, Josias Sampaio Cavalcante Junior, afirmou que o estudo de viabilidade técnica para estender a Ferrovia Norte-Sul até o porto de Rio Grande será contratado no início de outubro. Segundo ele, esse estudo terá duração de um ano e a estimativa é que as obras tenham início em dois anos e meio. O prazo para a conclusão da extensão é de mais dois a três anos.
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Cavalcante Junior garantiu ainda que a intenção do governo é priorizar as áreas produtivas dos estados do Sul. “O estudo que vamos contratar é que efetivamente vai dizer o melhor traçado, mas temos de pensar na multimodalidade também. Eventualmente, o trilho não passa em uma cidade ou outra, mas há uma integração de toda a cadeia. Há o escoamento nas proximidades de caminhão, há escoamento por trem e por hidrovias. Essa é a cadeia multimodal”, afirmou.
Paranaguá
Apesar de a audiência na Câmara ter sido convocada para debater o traçado da Norte-Sul, o diretor da Valec também foi questionado pelos representantes paranaenses sobre a construção de um novo ramal ferroviário que ligue a região Oeste do Estado ao porto de Paranaguá. A obra é considerada fundamental para o escoamento da produção paranaense.
De acordo com Josias Sampaio Cavalcante Junior, a Valec já está contratando os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para os projetos na região, cuja licitação foi dividida em dois lotes. O primeiro contempla Panorama (SP)-Chapecó (SC) e o segundo de Chapecó (SC)-Porto de Rio Grande (RS). O outro EVTEA contempla o traçado Maracaju (MS)-Cascavel (PR), primeiro trecho da ferrovia que levará a Paranaguá.
Além disso, no mês que vem a Valec deve firmar um convênio com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que será a responsável pelos estudos de viabilidade do trecho entre Cascavel e Paranaguá. Esse convênio contará com o apoio técnico da Fiep e do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).
O encontro em Brasília teve a participação de deputados federais e de representantes dos governos dos três estados da região Sul, incluindo o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, José Richa Filho.
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