Aportes reforçam posição privilegiada

Com uma localização geográfica estratégica, o Maranhão acumula uma forte capacidade logística apoiada em transporte ferroviário e portuário. São mais de 1,3 mil quilômetros de linhas férreas que levam minério de ferro, carvão e grãos, alem dos terminais marítimos que encerraram 2011 com 128,9 milhões de toneladas transportadas, contra 117 milhões de toneladas em 2010. Para abrir mais os caminhos de logística do Estado, estão previstos investimentos públicos e privados superiores a US$ 6 bilhões nos próximos anos.


A mineradora Vale comanda a ampliação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), parte de um projeto de logística de US$ 4,1 bilhões e peça-chave para o aumento da produção de minério de ferro. Na área portuária, a construção do novo Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no porto de Itaqui, em São Luís, avaliado em R$322 milhões, deve elevar a movimentação de cargas no Estado para 284 milhões de toneladas em 2015 e 424 milhões de toneladas em 2030. Novos investidores, como a cooperativa CHS, investem no Estado para ampliar os recursos logísticos.


Sobre trilhos, a produção maranhense percorre o Estado em mais de 1,3 milhões de quilômetros de linhas, com três vias principais: a EFC, com 892 quilômetros de extensão; a Ferrovia Norte-Sul, com 215 quilômetros que se interliga à EFC no município de Açailândia (MA); e a Transnordestina, que abrange sete Estados do Nordeste e tem 17,5 quilômetros dentro do porto de Itaqui. Administrada pela Vale no conceito mina-ferrovia-porto, a EFC transporta o minério para o terminal marítimo de Ponta da Madeira (TPPM), em Itaqui. Além do material, os trens levam produtos siderúrgicos, cimento, carvão, coque, soja e farelo, fertilizantes e derivados de petróleo. A empresa pilota um projeto de expansão da ferrovia. A iniciativa representa um dos maiores investimentos da Vale em logística e deve gerar mais de 8 mil empregos no pico das obras, que acontecerão em 27 cidades, sendo 23 no Maranhão.


As obras vão interligar 54 pátios de manobra existentes, permitindo que os vagões circulem nos dois sentidos. Hoje, a EFC possui apenas uma linha e os pátios funcionam como desvios no cruzamento dos trens. A conexão representa a instalação de 559 quilômetros de novos trilhos. A reforma também foca a segurança do transporte. Serão construídos 43 viadutos rodoviários, prolongamentos de passagens de pedestres e de veículos, além de muros de proteção. Com o fim das obras, previsto para o segundo semestre de 2016, será possível embarcar 230 milhões de toneladas ao ano. Atualmente, a capacidade é de 130 milhões de toneladas.


Em setembro, a Justiça liberou as obras da duplicação da malha, que estavam suspensas desde julho. Uma decisão da Justiça Federal do Maranhão havia determinado o bloqueio do processo de licenciamento ambiental, com a justificativa de que o alargamento poderia causar danos AA comunidades e áreas protegidas, como o povo indígena Awa Guajá.
Segundo informações da Vale, a empresa investiu US$ 3,1 bilhões no Maranhão em 2011, mais 69% em relação a 2010. Somente no primeiro semestre deste ano, foi aplicado US$ 1,2 bilhão. A mineradora tem 11,4 mil empregados no Maranhão, entre próprios e terceirizados.


Os aportes tem destino certo. A produção de minério de ferro em Carajás atingiu 27,4 milhões de toneladas no segundo trimestre deste ano, 26% acima do trimestre anterior. Em junho, a Vale recebeu a licença prévia (LP), para desenvolver o projeto de Carajás S11D, considerado o maior da industria de minério de ferro. Localizada na Serra sul, com investimentos previstos de US$ 8 bilhões, o empreendimento tem capacidade de produzir 90 milhões de toneladas. O início da operação está previsto para 2016.


Além da EFC, os produtores no Maranhão contam com a Ferrovia Norte-Sul (FNS), que opera em um trajeto de 720 quilômetros entre as cidades de Palmas (TO) e Açailândia, onde se conecta à EFC, com acesso ao porto de Itaqui. O trecho do Estreito (MA) à Açailândia, de 215 quilômetros, está em operação desde 1996.


O escoamento da produção pela FNS, que consumiu recursos estimados em R$ 8 bilhões nas obras de finalização, representa para os produtores locais redução de 30% no custo do frete em relação ao modal rodoviário. Segundo a Valec, estatal que cuida da intraestrutura ferroviária no país. O traçado completo da FNS prevê a construção de 2,2 mil quilômetros de trilhos, cortando os Estados do Maranhão, Tocantins e Goiás, até São Paulo. A previsão é de que esteja finalizado em 2014.


O crescimento dos ramais logísticos no Estado está atraindo novos investidores. A CHS, considerada a maior cooperativa de produtores agrícolas dos Estados Unidos, vai investir cerca de R$ 500 milhões em logística, de olho em oportunidades de armazenamento e transporte.


Os planos têm como alvo a área conhecida como “Mapitoba” (acrônimo para o enclave Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), considerada promissora, mas carente de opções de acesso. Na safra 2011/12, o local produziu cerca de 11,5 milhões de toneladas de soja e milho. A associação americana fechou a aquisição de 25% do Terminal Corredor Norte (TCN), joint venture controlada pela empresa de logística NovaAgri, que vai gerenciar um dos lotes do novo Tegram.


Ligado À FNS, o Tegram é fundamental para o desenvolvimento da Mapitoba. A expectativa é que o terminal entre em operação no fim de 2013. Terá capacidade de armazenamento de 500 mil toneladas na primeira fase do projeto. A segunda etapa, prevista para 2019, prevê movimentação de 10 milhões de toneladas por ano. O porto de Itaqui movimenta 2,5 milhões de toneladas de grãos por ano.


Segundo Luiz Carlos Fossati, presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), o investimento no Tegram é de R$ 322 milhões, com recursos da iniciativa privada. “A estrutura será usada para armazenagem de farelo e grãos e vai mudar o eixo das exportações do Sul e Sudeste para o porto de Itaqui.” Ao longo de 25 anos, o Tegram deve gerar um faturamento de R$ 461,8 milhões para a Emap. Além da NovaAgri, o ponto foi arrendado para a Glencore, CGG Trading e o Consórcio Crescimento, integrado por Louis Dreyfus Commodities e Amaggi. Cada empresa terá direito de usar o local por 25 anos, renováveis por igual período.


Antes mesmo da inauguração do Tegram, o Complexo Portuário de São Luís (CPSL) é considerado o terceiro maior do Brasil de volume de cargas. Juntos, os três portos do conjunto – Itaqui, TPPM e o Consórcio do Alumínio do Maranhão (Alumar) – encerraram 2011 com 128,9 milhões de toneladas transportadas, contra 117 milhões de toneladas registradas em 2010. Hoje, são responsáveis por 50% da movimentação da carga portuária do Norte e Nordeste do Brasil.


No tráfego de embarcações, o CPSL registrou 1,6 mil unidades atracadas em 2011e apenas por Itaqui passaram785 navios, com calado de até 19 metros. O terminal de águas profundas opera principalmente com derivados de petróleo, alumínio, etanol, ferro-gusa, soja e farelo.


O TPPM é composto de três píeres, com seis silos de estocagem de grãos com capacidade para 122,5 mil toneladas. Suporta navios graneleiros de até 420 mil toneladas de porto bruto. O Berge Sthal, considerado o maior graneleiro do mundo, só consegue atracar na capital maranhense e em Roterdã, na Holanda.


Já o Alumar, que recebe insumos para a produção de alumínio, tem um  cais de 260 metros de comprimento, com autonomia para 250 mil toneladas de bauxita e 750 mil toneladas de carvão. A estimativa de Fossati é que o CPSL atinja284 milhões de toneladas em 2015 e 424 milhões de toneladas em 2030, liderado por Itaqui. O porto, considerado um dos maiores indutores de crescimento do Maranhão, é interligado com a BR-135 e as ferrovias EFC e Transnordestina. Segundo Fossati, a movimentação de carga em Itaqui passou de 12,6 milhões de toneladas em 2010 para 14 milhões de toneladas em 2011.


De janeiro a agosto, for

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