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Desembolsos do BNDES para infraestrutura só crescerão em 2014

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor de infraestrutura ficarão estagnados em 2013. O setor só deverá deslanchar a partir do fim deste ano e ao longo de 2014 e 2015, à medida que forem feitas as concessões na área de logística para a iniciativa privada, segundo projetou ontem o presidente da instituição, Luciano Coutinho.


Nos primeiros três meses do ano, os desembolsos do banco para infraestrutura somaram R$ 9,2 bilhões, alta de 26% frente a igual período de 2012. Em 12 meses, porém, foram R$ 52,2 bilhões, queda de 7%.


Do total destinado ao segmento, as grandes e médias empresas receberam R$ 5,6 bilhões no primeiro trimestre, queda de 16% na comparação com igual período do ano passado. A estimativa da instituição é que, ao fim do ano, os desembolsos para grandes e médias empresas totalizem R$ 40,7 bilhões. No ano passado, o BNDES destinou R$ 52,8 bilhões para o setor de infraestrutura como um todo.


“O que nós queremos e esperamos é que o ciclo de concessões de logística para o setor privado ajude a acelerar o investimento em infraestrutura em geral e que possa resultar num desempenho da formação de capital bruto mais forte nos próximos anos, começando já em 2013”, disse Coutinho.

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No primeiro trimestre deste ano, os desembolsos totais do BNDES somaram R$ 37,2 bilhões, nível recorde para o período, com destaque para os empréstimos à indústria, que subiram 36% no acumulado do primeiro trimestre ante igual período do ano anterior, para R$ 13,4 bilhões.


Luciano Coutinho descartou realizar projeções para os desembolsos totais do BNDES neste ano. “Estamos depurando os nossos números e realizando ajustes finos em relação às linhas do banco”, disse. O objetivo, segundo ele, é concentrar os empréstimos em formação de capital fixo e menos capital de giro. Em 2012, os desembolsos somaram R$ 156 bilhões.


O presidente do BNDES disse estar otimista com a retomada dos investimentos no setor industrial. De acordo com Coutinho, a expectativa é que a indústria cresça 3% este ano.


“O primeiro trimestre da economia brasileira foi bastante bom e aponta para recuperação do crescimento industrial, e especialmente para forte alta do investimento no trimestre, da formação bruta de capital fixo”, afirmou Coutinho, citando a aceleração nas vendas de caminhões, máquinas agrícolas e máquinas industriais.


Apesar de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter ultrapassado o teto da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN) de 6,5% em março, Coutinho disse confiar que o Banco Central manterá a inflação sob controle ao longo deste ano. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula alta de 6,59% em 12 meses encerrados em março.


“O crescimento [da economia] previsto para 2013 não é explosivo, o esperado pelo mercado é de 3%”, disse. “Viemos de um ano de crescimento fraco do PIB [Produto Interno Bruto]. Reafirmo minha confiança de que o Banco Central manterá a inflação sob controle”, completou Coutinho.


O BNDES mantém seus planos de emitir títulos no mercado internacional. A instituição aguarda a “melhor janela” para lançar os papéis, disse Coutinho, completando que a instituição “não está com pressa” para realizar esse tipo de operação. “Essa é uma preocupação pequena, porque o ‘funding’ em moeda estrangeira tem importância, mas o peso é pequeno”, disse ele.


No fim de março, Coutinho afirmou em Durban, na África do Sul, durante a cúpula dos Brics, que o banco de desenvolvimento estudava lançar títulos de dívida no mercado internacional, por avaliar ser possível manter a curva decrescente de juros dos últimos lançamentos de bônus.


Perguntado sobre a capitalização da instituição via Tesouro Nacional, Coutinho disse preferir não se manifestar a esse respeito.


 

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