Professor do Centro de Tecnologia da Uerj, Alexandre Rojas afirma que os sucessivos transtornos enfrentados por passageiros de trens no Rio são resultado de uma histórica deficiência na manutenção do sistema ferroviário. Apesar da compra de novas composições, ele diz que não há uma expectativa de melhorias significativas a curto prazo.
O que pode explicar tantos problemas, num espaço tão curto de tempo?
O sistema de trens do Rio está degradado desde antes da privatização (ocorrida em 1998). Nos anos 1980, os trens transportavam mais de 800 mil pessoas por dia. Mas quando foram privatizados, o número de usuários já era era muito menor. Vendendo menos passagens, a manutenção continuou precária. Agora, são feitas promessas de R$ 2,7 bilhões em investimentos.
Fala-se na compra de novas composições (até 2014, devem entrar em circulação 60 delas). Mas não é uma questão apenas de pôr novos trens em circulação. A manutenção de todo o sistema é deficiente.
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E apesar de novos trens, ainda há muitos antigos em circulação…
Sim, muitos em situação ruim. Não deveriam ter chegado ao estado em que estão. Mas já que chegaram, precisam ser retirados de circulação para sofrer uma grande reforma. E não é uma questão só dos trens.
Que outras questões são essas?
Vão desde a própria linha férrea até o acesso às estações, muitas delas uma tragédia. Há problemas, por exemplo, de sinalização. Se uma pessoa não conhece as estações, não consegue encontrar a plataforma certa. Trabalho em frente à estação São Cristóvão, que é uma estação importante, mas um horror na questão do acesso. Pede a um idoso para subir aquela escada. Não sobe. Já os trilhos até estão razoavelmente direitos. Mas têm de ser alinhados frequentemente.
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