Demora na construção, possível mudança de trajeto. Essas foram as principais preocupações apresentadas pelos deputados da Comissão de Integração Nacional da Câmara, que participaram de um debate nesta terça-feira sobre a Ferrovia Norte-Sul.
A estrada de ferro é uma das principais obras do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, que, segundo o governo, vai diminuir o custo do transporte de cargas no país – consequentemente da produção -, além de reduzir o consumo de combustíveis, o valor de manutenção das estradas e os acidentes nas rodovias.
A Ferrovia Norte-Sul deve ser uma espécie de coluna vertebral para o transporte ferroviário no país. Ela vai sair do Pará, no Norte, chegando até a cidade gaúcha de Rio Grande, com diversas linhas transversais. No total, serão 10 mil quilômetros de trilhos. A Norte-Sul começou a ser construída há 26 anos, mas está longe de ser concluída – nem existe previsão.
Atualmente, apenas alguns trechos já funcionam. Apesar disso, Paulo Schanuel, representante da Valec, estatal responsável pela construção de ferrovias no país, disse que o andamento da obra pode ser considerado normal, por causa do tamanho.
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“Só [o trecho Norte da] Norte-Sul é um empreendimento de R$ 5 bilhões. Mais até a ferrovia até São Paulo é um empreendimento de mais R$ 3, R$ 4 bilhões. Até Rio Grande [RS], são mil quilômetros, são quase R$ 10 bilhões. Então o país não faz isso de uma hora para outra, é um empreendimento que exige um certo tempo.”
Mas para o deputado Carlos Magno, do PP de Rondônia, o governo não está dando a importância que a Ferrovia Norte-Sul merece.
“É prioridade número 1 que essa obra possa ser realizada o mais rápido possível e isso não é o que nós temos visto.”
O debate na Câmara abordou também a manutenção das ferrovias que já existem no país. Segundo os representantes da ANTT, Agência Nacional de Transporte Terrestre, por muito tempo as concessionárias deixaram de fazer os reparos necessários e chegaram até a abandonar trechos, mas, agora, depois de multas e com a pressão de um cronograma, mais de 5 mil quilômetros de trilhos estão sendo recuperados.
As explicações foram suficientes, segundo o presidente da Comissão de Integração Nacional, deputado Jerônimo Goergen, do PP gaúcho, que disse só se preocupar com uma possível mudança de trajeto da Norte-Sul.
“Eu me preocupo um pouco porque realmente a Valec, a ANTT, a EPL, não confirmam a manutenção do projeto original.”
Os representantes do governo na área de ferrovias ainda adiantaram que está para ser lançado um novo marco regulatório para as concessões ferroviárias do país. Segundo Jorge Bastos, diretor-geral da ANTT, apesar de já haver uma ideia geral do texto, não há data para que ele seja divulgado.
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