Assim que ocorrer a conturbada eleição no Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo, a cidade terá outra disputa com potencial para parar os transportes públicos para se preocupar: os funcionários do metrô vão às urnas no começo de setembro para eleger sua diretoria. A votação promete ser uma das mais acirradas da categoria, com o grupo que dominou o sindicato por quase 25 anos tentando retomar a direção do PSTU e PSOL.
A disputa é acompanhada de perto pelo governo do Estado. Em 2012, o sindicato fez uma greve de um dia durante a campanha salarial que transformou a cidade em um caos. O Metrô, em nota, classificou na época a paralisação de “nociva e inútil” e com fins “político-eleitorais”. Os usuários do sistema, que transporta 2,9 milhões de passageiros por dia, tiveram que migrar para os carros, taxis ou ônibus, que não deram conta da demanda.
O atual presidente, Altino de Melo Prazeres Junior (PSTU), foi eleito em 2010 com apoio das centrais CSP-Consultas, ligada ao PSTU, e da Intersindical, próxima ao PSOL, com o discurso de fazer uma gestão mais à esquerda, voltada para os trabalhadores, com mais pressão sobre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e sem “rabo preso” com o governo federal.
Altino, que é candidato à reeleição, derrotou o grupo formado pela Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), ligada ao PCdoB e PSB, e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), próxima ao PT. Este grupo controlava o sindicato desde a década de 80 e forma o núcleo duro da CTB, uma das cinco maiores centrais sindicais do país.
CTB e CUT pretendem repetir a dobradinha nesta eleição. Depois da derrota há três anos, o grupo prega uma renovação, com o afastamento de antigos dirigentes e a ascensão de novos nomes. Essa “oxigenação” faz com que não exista um candidato natural para encabeçar a chapa – ex-presidente dos metroviários na gestão anterior, Wagner Gomes (PCdoB) se dedica hoje exclusivamente à presidência nacional da CTB.
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A troca de ataques, porém, já começou. O presidente estadual da CTB, Onofre Gonçalves, diz que a atual gestão desmobilizou a categoria. “Eles eram uns leões na oposição, mas, quando assumiram o sindicato, abdicaram das lutas”, afirma o dirigente, que dá como exemplo a manifestação das centrais sindicais no dia 11, em que os metroviários de São Paulo chegaram a anunciar uma paralisação, mas desistiram após pressão do governo do Estado.
O atual presidente defende, porém, que o sindicato se envolva mais em discussões com a população – a entidade foi uma das principais organizadoras dos protestos contra o aumento da tarifa, ao lado do Movimento Passe Livre. “A gestão anterior não dialogava com outros setores da sociedade e, politicamente, tinham vários equívocos. Criticavam as PPPs [parcerias público-privadas] do Alckmin, mas, quando era uma PPP do governo federal, não sentíamos a mesma força”, diz.
O governo do Estado tem acompanhado de perto a eleição, que ocorrerá entre os dias 9 e 13 de setembro. Um interlocutor de Alckmin, entretanto, não vê muitas opções diante da falta de força do PSDB no movimento sindical. “A disputa é entre PCdoB e PT ou PSTU e PSOL. É quase uma eleição para saber quem gosta menos do governador…”
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