Atualmente, 105 companhias de setores diversos estão em operação no Complexo Industrial Portuário de Suape. A lista inclui desde indústrias de refrigerantes – como a multinacional Coca Cola – até estaleiros de grande porte – caso do Atlântico Sul, um dos maiores fabricantes de navios e plataformas offshore do hemisfério Sul. Além disso, outras 45 companhias estão em processo de implantação, com destaque para a Refinaria Abreu e Lima, com início das operações previsto para o fim de 2014 e que é a única no Brasil projetada para o processamento de petróleo pesado – estima-se que ela será capaz de produzir 18% do diesel utilizado no País. “Suape é de fato a mola propulsora do desenvolvimento de Pernambuco”, sintetiza o diretor vice-presidente de Suape, Caio Ramos.
Ele conta que o grande salto de Suape aconteceu de 2007 para cá. Desde então, 80 novas companhias se instalaram no complexo e colocaram definitivamente as cidades de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho no mapa de investimentos de grandes empresas. Para chegar a tal estágio, no entanto, foram necessários investimentos. Apenas o governo estadual injetou cerca de R$ 1,3 bilhão em obras de infraestrutura e melhorias das instalações do complexo. Este valor foi complementado com um aporte de R$ 700 milhões do governo federal. Já a iniciativa privada consolidou investimentos superiores a R$ 50 bilhões – o equivalente a mais de 40% do PIB pernambucano de 2012. Além disso, são gerados 15 mil empregos diretos e 50 mil indiretos.
“Quando a gente busca atrair uma empresa, Suape é o melhor cartão de visita que temos. A Fiat, por exemplo, quando decidiu instalar uma fábrica em Pernambuco, havia escolhido Suape, mas o governador (Eduardo Campos – PSB) conseguiu convencê-los de que era possível usufruir de Suape sem necessariamente estar dentro do complexo. Assim, a fábrica vai funcionar na Zona da Mata Norte (a cerca de 60 quilô- metros de Recife), uma região que tinha toda sua economia baseada na cana-deaçúcar e que agora, com este parque industrial que a Fiat traz consigo, vai poder diversificá-la. Esta é a força de Suape, de atrair empresas não só para o complexo, já que a política do governador é levar o desenvolvimento para todas as regiões do estado”, analisa Ramos.
Cadeias produtivas Outro grande atrativo de Suape é a estratégia de desenvolvimento de cadeias produtivas por parte do governo estadual. Basicamente, a ideia é agrupar no complexo os fornecedores de matérias-primas das principais indústrias que ali operam. Esse movimento gera redução de custos de transporte, facilidade de obter insumos de produção e permite que as empresas possam optar por estoques menores, promovendo redução de despesas de viagens e transporte, facilitando o diálogo com o fornecedor e conferindo vantagem competitiva em relação às companhias que estão fora do polo.
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O projeto, por sinal, já é uma realidade em Suape. “A Coca-Cola, por exemplo, é um exemplo disso, pois hoje ela consegue, dentro do complexo, adquirir 93% dos insumos necessários”, ilustra Ramos, brincando sobre um dos mais folclóricos segredos industriais de todos os tempos. “Os 7% restantes devem ser o segredo do xarope.” Se para as empresas este modo de operação é inegavelmente eficiente, para Pernambuco a vantagem, além da instalação de novos empreendimentos, é a consolidação de cadeias locais, permitindo que mais dinheiro circule no estado.
Com mais dinheiro circulando, o governo passa a dispor de recursos para investir na melhoria da infraestrutura local e acaba fomentando até mesmo outros setores da economia pernambucana. Exemplo disso é a Via Expressa, um conjunto de estradas que vai ligar a saída de Jaboatão dos Guararapes a Nossa Senhora do Ó, passando por dentro de Suape. O detalhe é que a obra de 43 quilômetros não vai apenas beneficiar as indústrias e empresas da região. Isso porque a via vai começar nas imediações do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes e desembocará próxima à entrada da região turística de Porto de Galinhas, destino que figura frequentemente entre os mais belos do País. A obra é viabilizada através de uma Parceria Público-Privada (PPP).
Para Ramos, a realização de obras do tipo é o caminho para que Suape possa manter acelerado o ritmo de crescimento e faça com que Pernambuco continue crescendo acima da média nacional – só para ilustrar, em 2012 a economia do estado cresceu 2,3%, enquanto a nacional estacionou em 0,9%. “Tanto o governo estadual quanto o federal estão se empenhando e acredito que a malha à qual Suape está incorporada continuará a dar vazão à produ- ção local. Além disso, temos dois bons aeroportos, o de Guararapes e o de Petrolina, que é muito importante para escoar toda a produção do São Francisco; o Porto de Recife, que é complementar ao de Suape; e a Ferrovia Transnordestina, em construção. Então, temos um aparelho logístico muito forte.”
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