Entre os projetos financiados com recursos do BNDES está o conduzido pela ALL – América Latina Logística – para expansão da Malha Norte, com a construção de 260 km de trilhos ligando Alto Araguaia a Rondonópolis, no Mato Grosso. Avaliado em R$ 730 milhões, o projeto conta com financiamento de R$ 450 milhões do banco, com quatro anos de carência, prazo de pagamento de 20 anos e condições financeiras que incluem TJLP mais 2,7%.
“Essas condições podem parecer caras hoje, mas foram extremamente atraentes em 2009, quando submetemos o projeto ao banco e a Selic estava em torno de 13%”, observa Pedro Albuquerque, superintendente de relações com investidores da ALL. Ele destaca ainda que o prazo de pagamento em 20 anos é superior aos das linhas gerais do BNDES, que giram em torno de dez anos.
“O suporte do banco foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, que é transformador e tem uma importância fundamental para o país, pois amplia a fronteira ferroviária brasileira, tornando-a mais próxima da carga e do produtor de soja, milho, farelo, carne frigorificada, algodão e celulose. Antes, ele tinha de ir de caminhão até o Araguaia, o que encarecia o custo logístico”, diz.
Integrante das obras do PAC 2 – Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal, o trecho ferroviário foi inaugurado no dia 20, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Ela destacou que a ferrovia vai contribuir para a redução de custos de produção e avaliou que o empreendimento era considerado crucial para elevar a competitividade do país. Isso porque o novo trecho ferroviário aumenta a eficiência do escoamento de cargas no maior corredor de exportação de grãos do país – do Centro-Oeste para o Porto de Santos- e expande o potencial da ferrovia como solução logística.
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Além da expansão da Malha Norte, o projeto contou com financiamento de mais R$ 150 milhões do BNDES para a construção do centro multimodal CIR – Complexo Intermodal Rondonópolis, que terá terminais para grãos, produtos industrializados, combustíveis e contêineres na ponta da estrada, cuja área já está quase toda reservada por empresas.
Localizado no eixo rodoviário da MT-BR163, a 28 km do centro de Rondonópolis, com uma área total de 385,10 hectares, o Complexo Intermodal Rondonópolis foi inaugurado junto com um novo terminal da ALL, que começa a operar com capacidade de carregamento de 120 vagões graneleiros a cada 3,5 horas. O centro conta ainda com terminais Noble, trading global de commodities, e da Brado Logística, subsidiária da ALL para o transporte intermodal de contêineres, que já está operando seu terminal, cuja capacidade de movimentação chega a 240 TEUs (Tonelada equivalente a 20 pés) por ano. “Empresas como Bunge e Maggi devem se instalar no local, que terá um total de 20 terminais privados”, informa Albuquerque.
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