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Cosan pretende ter empresas de logística

A Cosan Logística quer implantar projetos semelhantes ao da Rumo, empresa de logística de açúcar do grupo, para as áreas de fertilizantes, grãos, celulose e líquidos.  A empresa pretende ser um Operador Ferroviário Independente, através do novo modelo que o Governo Federal quer implantar no país, e com isso fazer o transporte dos produtos. “A Cosan Logística está montando verticais de agronegócio. A Rumo é o vertical de açúcar e nós vamos montar uma vertical de fertilizantes, de grãos, celulose e líquidos, que ainda é uma coisa que estamos olhando, mas é uma ideia”, explica o presidente da empresa, Julio Fontana.


O executivo explica que em um primeiro momento as empresas serão as “Rumos” da Cosan, utilizando nomes como Rumo Grãos, Rumo Fertilizantes, etc. “Quando você faz isso, você pode ter parceiros estratégicos em cada um desses segmentos. Estou procurando parceiros. Já temos vários detectados para montarmos essas estruturas”, explicou Fontana.  A ideia é que a Cosan Logística seja uma espécie de holding desses segmentos.


O presidente da empresa explica que a diferença entre a Rumo e as novas empresas que serão criadas é que a Rumo não opera ferrovia, o transporte é feito através de contrato com a ALL, e as novas terão a Cosan Logística como operador ferroviário.


Durante o Cosan Day, evento anual com investidores realizado nesta terá-feira (24/09), em São Paulo, Julio Fontana, destacou que a empresa está se preparando e estudando a legislação para estar apto para ser um operador independente. Apesar do entusiasmo,  Fontana explica que a regulamentação do operador independente ainda precisa ficar clara. Em 19 de agosto, a ANTT anunciou o início da tomada de subsídios  para a regulamentação (ANTT anuncia audiência sobre operador independente). “As regras são o mais importante. Estamos nos antecipando para quando acontecer estarmos preparados”, enfatizou Fontana.


A Cosan Logística foi criada em junho desse ano e, segundo Fontana, nasce com mais de R$ 500 milhões em caixa para investimentos.  O grupo deve comprar locomotivas e vagões para o novo projeto, mas quantidades e prazos ainda não estão definidos e devem ser avaliados após o processo para que a empresa seja um operador independente. Fontana destacou ainda que a empresa pretende ser operador independente e que não tem interesse nas concessões para a construção/remodelação das linhas.


Rumo x ALL


Em agosto, durante teleconferência sobre o final da negociação da entrada da Cosan no grupo de controle da ALL, o presidente da Cosan, Marcos Lutz, disse que a Rumo estava colocando mais caminhões de açúcar na serra, rumo ao cais santista. O motivo seria o não cumprimento do acordo que a ALL tem com o grupo para o transporte de açúcar do interior até o porto. Na ocasião, Lutz disse que a ALL é uma empresa regulada e que acreditava que a concessionária fosse atender a demanda, já que era caro para ela não fazer isso – referindo-se a multa prevista em contrato.


Um mês depois, em 16 de setembro, foi publicado no Diário Oficial da União uma portaria da ANTT determinando que a ALL restabelecesse imediatamente a prestação do serviço de transporte de cargas por ferrovia da Rumo. A portaria prevê aplicação de multa e medidas judiciais caso a determinação não seja cumprida.


Durante o Cosan Day, o presidente da Rumo, Daniel Rockenbach, explicou que o grupo entende as dificuldades da ALL para atender a demanda e que com a finalização da duplicação da linha entre o interior e o litoral, prevista para o ano que vem, o atendimento deve ser realizado.  “A ALL vem cumprindo os requisitos contratuais e as penalidades existentes. A a aderência em relação ao atendimento operacional é que não está boa. Existe já a resolução e a ALL tem uma nova meta em relação ao atendimento”, explicou Rockenbach, sem entrar em detalhes sobre o quanto deixou de ser transportado.


O acordo entre a ALL e a Cosan contempla investimentos, por parte do grupo que atua no ramo sucroalcooleiro, de infraestrutura e energia, para a duplicação da linha da linha da ALL de Itirapina a Santos, em andamento; terminais e compra de 50 locomotivas e 929 vagões. O investimento do grupo Cosan será concluído em 2014.


Neste ano, a previsão é que a Rumo transporte oito milhões de toneladas de açúcar. Rockenbach explicou que nos últimos anos os preços de transportes subiram e situações com as novas regras de jornada dos caminhoneiros e os congestionamentos contribuem para isso. “Certamente, a ferrovia tem eficiência energética superior ao caminhão”, destacou.


E a ideia do projeto da Rumo é exatamente isso: ganhar eficiência logística no transporte do açúcar e com isso tirar os caminhões das estradas, gerando reduções de emissões de gás carbônico (CO2) . O projeto prevê a retirada de duas mil viagens de caminhões por mês (ida e volta) das estradas paulistas. Esse é o primeiro investimento privado em ferrovia a ser executado no modelo semelhante ao que o Governo Federal anunciou no Programa de Investimentos em Logística (PIL).



 

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