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Cosan quer crescer em gás natural e avalia portos

Os projetos de expansão do Grupo Cosan não estão limitados aos investimentos na nova empresa que será formada a partir da incorporação da Rumo, subsidiária de logística da companhia, com a ALL. No radar da empresa, estão ainda a participação em concessão portuária em Santos (SP) e planos para atuar como operador ferroviário independente.


Na divisão de energia, a companhia tem em seu horizonte estudos para crescer na área de gás natural, por meio da Comgás, afirmou Marcos Lutz, presidente do grupo. Uma das alternativas é investir em gasodutos. Já há um time da Cosan avaliando o negócio, que poderá ser em sociedade com a Petrobrás, trazendo gás do pré-sal. “Em um ano, mais ou menos, a gente toma a decisão de abandonar ou avançar esse projeto para a fase de detalhamento.”


Líder na distribuição de gás canalizado, por meio da Comgás, o grupo não descarta expandir a área de concessão para outras regiões no Brasil, caso surjam oportunidades, disse Lutz.


Os planos de ampliação para infraestrutura nas áreas de portos e ferrovias vão além do projeto Rumo-ALL, mas dependem dos processos de licitação. No caso portuário, os leilões dependem do aval do Tribunal de Contas da União (TCU), que pediu revisão dos estudos. Em ferrovia, embora o projeto da nova Rumo-ALL seja ambicioso, Lutz disse que, se houver demanda de clientes na Norte-Sul, a Cosan não descarta fazer a operação.

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Aquisições. O apetite por aquisição deve continuar firme, mas focado nos negócios de atuação do grupo. “Podemos investir em outras empresas, mas não em novos negócios”, disse Marcelo Martins, vice-presidente de finanças e relações com investidores.


Na divisão de combustíveis, a estratégia será de crescimento orgânico com a conversão de postos com a bandeira Shell e compras de negócios regionais. No segmento de açúcar e etanol, o grupo é mais cauteloso por conta da situação delicada do setor.


No primeiro trimestre, o grupo registrou receita líquida de R$ 9,593 bilhões, alta de 13% sobre igual período de 2013. O lucro líquido no período saltou de R$ 27 milhões para R$ 256 milhões. O açúcar e etanol, que representavam 100% da receita do grupo até 2007, hoje ficam com uma fatia de cerca de 20%.


Um dos maiores consolidadores do setor sucroalcooleiro do País, Rubens Ometto Silveira Mello, fundador do grupo, criticou, na quinta-feira, a atual política de preços do governo federal para combustíveis. Em evento, em Nova York, onde foi homenageado como personalidade do ano pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, afirmou que principais conquistas do segmento do etanol podem ser enterradas. “O setor passa por problema estrutural, que vem de muitos anos. Essas críticas que faço são construtivas. Sou antes de tudo brasileiro, não tenho partido político, e acredito que o setor precisa de mais atenção.”


Grupo vai propor cisão das empresas


O Grupo Cosan foi um dos protagonistas neste ano de uma das maiores operações do mercado, com a proposta de incorporação da ALL pela Rumo, subsidiária da companhia. Apesar do cenário macroeconômico desafiador para 2014, a companhia está otimista com o futuro da empresa, afirmam Rubens Ometto, controlador do grupo, e os executivos Marcos Lutz, presidente da Cosan, e Marcelo Martins, vice-presidente de finanças. Leia os principais trechos da entrevista:


Quais as perspectivas de investimentos de médio e longo prazo do grupo, considerando um cenário de desaceleração da economia este ano?


Rubens Ometto – Sou por natureza otimista. Nas condições atuais, vejo um panorama em que os brasileiros estão muito pessimistas, mas acredito no País. Percebo que vários grupos estrangeiros estão apostando no Brasil. Temos que nos organizar para tirar vantagem.


Marcos Lutz – A gente fez uma proposta de fusão com a ALL, o que mostra que dá para tomar posições desde agora. Acreditamos que esse projeto tem de acontecer para o País em qualquer dos cenários. Percebemos que o empresariado como um todo está usando de mais cautela, mas o grupo tem como tomar risco e aproveitar as oportunidades desde agora.


Como a Cosan pretende financiar a expansão da Rumo-ALL?


Marcelo Martins – Com relação à ALL, o projeto vai se dar em cima de um cronograma de investimentos que deve ser financiado em boa parte pelo BNDES, que pode financiar até 85%. A ideia é que boa parte desse financiamento seja provido pelo BNDES. Eventualmente, pode haver alguma necessidade de fazer captação fora do BNDES. Faremos através do mercado com emissão de dívidas ou equities (ações), que é uma possibilidade, mas não imediatamente. Se isso acontecer, vai demorar muito tempo.


No mercado, comenta-se que o grupo poderá buscar um sócio para a nova empresa. Há plano de outros parceiros no futuro?


Lutz – Não, há esse plano não.


Martins – Acho que essa percepção do mercado tem a ver com a primeira proposta feita pela Cosan (de comprar a fatia dos acionistas privados em 2012). Como o curso da transação mudou, a gente fez outro desenho. Lá atrás, precisava. Hoje a gente não precisa porque mudou o modelo do negócio que está sendo construído.


O grupo está preparado para uma eventual restrição do Cade à operação da Rumo-ALL?


Lutz – Do ponto de vista de lei concorrencial, o Cade tem basicamente duas preocupações: concentração vertical e horizontal, que foi o caso da Raízen (joint venture entre Cosan, dona da Esso, e Shell). Naquele caso, existia um grande ganho de sinergia com escala. Foi isso que embasou o nosso argumento para justificar nossa transação. No caso da Rumo-ALL, não existe preocupação de concentração horizontal porque não temos ferrovia na operação da Rumo. A gente contratava como ferrovia a ALL. Nesse caso, a concentração vertical existe, mas é mínima, considerando basicamente o transporte de açúcar da Raízen pela ALL, que é irrisório.


Por falar em Raízen, no acordo firmado com a Shell há uma cláusula na qual as duas companhias podem exercer direito de compra na joint venture a partir de 2021. Há interesse da Cosan em fazer desinvestimento nos negócios de combustíveis e açúcar e álcool?


Martins – Não temos interesse em desinvestir do negócio de açúcar e etanol. O que não significa que faremos aquisições que não façam sentido e não agreguem valor ao negócio.


E o sr. já pensou em se desfazer de suas usinas?


Ometto – Não pensei.


Nem no futuro?


Ometto -No futuro? Não sei…


O sr. é um empresário que comprou muitas brigas…


Ometto – Não tem briga. As coisas precisam ser muito bem explicadas para ter uma lógica para que aconteça. Se não tiver uma lógica, eu não aceito. Vou até as últimas consequências para tentar chegar naquilo que eu acho que deve ser feito.


Como será a proposta de cisão da Cosan S.A.?


Martins – O que a gente tem hoje é Cosan S.A. com todos os ativos. A proposta é fazer uma cisão formando uma segunda empresa, que terá a Cosan Logística (a nova Rumo-ALL será ligada a ela). Cada acionista da Cosan S.A. terá, depois da cisão, uma ação da Cosan Energia e uma ação da Cosan Logística.


Quando essa proposta será colocada em votação?


Martins – A proposta de cisão será feita aos acionistas da Cosan por meio de uma assembleia. Não tem data ainda. É um projeto para o segundo semestre.


Hoje as ações da ALL são negociadas em Bolsa. Com a aprovação do Cade, vai ser criada uma nova empresa na Bolsa?


Martins – Na assembleia dos acionistas da ALL (realizada em maio) foi aprovada a incorporação da empresa pela Rumo. Vamos abrir o capital da Rumo, que não será listada, mas terá seu capital aberto porque terá de incorporar a ALL, caso Cade e ANTT aprovem a operação. A entidade resultante dessa transação será a nova Rumo-ALL. Com isso, a ALL deixa de existir, passando a ser representada pela nova companhia, que será listada na Bolsa.


O grupo anunciou há algum tempo

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