Restrições à fusão de ALL e Rumo não atrapalham, diz Cosan

Brasília – O diretor-presidente da Cosan, Marcos Lutz, deixou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na tarde desta quarta-feira, 11, animado com a aprovação da fusão América Latina Logística (ALL) e Rumo, administrada pelo grupo comandado por ele.

“Tínhamos a preocupação de que algumas restrições (impostas pelo Cade) pudessem afetar a capacidade da companhia de fazer os investimentos e criar o crescimento de capacidade, que é o objeto dessa transação para gente, o que a gente foca em fazer”, avaliou.
“Portanto, nesse momento, temos de olhar em mais detalhes, conhecer mais a fundo (a decisão), mas achamos que é aceitável as restrições comportamentais que não atrapalham nossa capacidade de crescer, de fazer investimentos e de melhorar nossa capacidade de serviço”, considerou.

A ALL e a Rumo firmaram nesta quarta-feira, 11, um Acordo em Controle de Concentração (ACC) com o Cade, no qual aceitam uma série de restrições para concluir a fusão. Nenhuma das restrições, contudo, impôs a venda de ativos, como se esperava.
O Cade decidiu por determinar a liberação de espaço na ferrovia para concorrente da Cosan nos mercados de transporte de açúcar e combustíveis, sendo que o tratamento para a carga de terceiros deverá ser igualitária.

Isto inclui a criação de um painel informando horário, velocidade e entrada da carga na ferrovia operada para evitar “furadas de fila” que favoreçam a Cosan. Ficou definido também que em dois terminais de açúcar no Porto de Santos, 40% da capacidade de armazenamento deverá ser cedida a terceiros.

Lutz disse que o próximo passo é discutir com a Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) a ocupação portuária em Santos, para concluir a fusão.

O executivo afirmou também que investimentos estão sendo desenhados pelas equipes da ALL e da Rumo para expandir a capacidade de carga transportada.

“Temos um grupo de transição que está desenvolvendo um processo integrando de expansão que será apresentado para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que está sendo discutido com diversas entidades”, disse.
O plano inclui, segundo o presidente da Cosan, a renovação de frota ferroviárias e a “resolução de gargalos importantes na Baixada Santista, em corredores relevantes no Paraná e São Paulo”. Os investimentos foram apontados como importantes para superar um “ciclo vicioso” de estagnação.

“É uma operação de duas companhias grandes que têm obrigação de vir ao Cade, mas na verdade o projeto da nova companhia é muito semelhante ao projeto da antiga ALL pré-fusão, com a diferença de que com mais capital”, observou.
“É muito importante o investimento em capital para sair do ciclo vicioso que a companhia se encontra, que é de pouca capacidade e pouco volume e, portanto, não competitividade perante o próprio frete rodoviário. O custo é muito fixo e precisamos de aumentara capacidade”, afirmou.

Lutz disse também que “hoje a capacidade (de transporte) é menor do que a demanda, não tem capacidade ociosa”, o que significa que a exigência do Cade para que a nova companhia que surgirá da união entre a ALL e a Rumo torne pública o espaço, que deverá ocupado por outras empresas.

“Essa decisão permite dar conforto aos usuários, que de alguma forma querem conforto nessa estrutura tão importante e que será utilizada de maneira igualitária de mercado. Por outro lado, permite que a companhia ainda tenha os planos de expansão que tinha antes e isso é importante inclusive para os usuários”, considerou.

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