Codesp prevê maior uso de trens na região

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) promete rigor na fiscalização do sistema de agendamento de caminhões e no monitoramento de seu tráfego das regiões produtoras do Centro-Oeste até o complexo portuário.

O próprio diretor de Planejamento Estratégico e Controle da estatal, Luís Cláudio Santana Montenegro, considera tais medidas essenciais para que não ocorram congestionamentos nos próximos meses e o Plano Safra 2015, elaborado pelo Governo para conter essas filas, seja um sucesso. Mas o executivo afirma que está “tranquilo” em relação às operações em Santos. E cita três motivos para tanto.

O primeiro deles é que a Codesp registrou um maior uso das ferrovias no transporte das cargas agrícolas até a Baixada Santista. Em janeiro, a Docas contabilizou um crescimento de 40% nos volumes de grãos transportados por trens, na comparação com o mesmo mês no ano passado. A expectativa do Ministério dos Transportes é que, em Santos, nesta safra, esse aumento fique entre 15% e 20%.

Considerando que o movimento das cargas agrícolas deve ficar praticamente estável – segundo a Codesp, os carregamentos de açúcar, soja e milho devem somar 42,14 milhões de toneladas neste ano, 1,3% a menos do que em 2014 –, esse crescimento das ferrovias indica uma maior participação do modal.

De acordo com a SEP, no ano passado, 58% dos granéis vegetais escoadas por Santos utilizaram as ferrovias para chegar ao complexo marítimo.

Monitoramento

O segundo fator para embasar as expectativas positivas do diretor é o sistema de monitoramento da chegada das cargas agrícolas ao cais santista, tanto na Baixada Santista como nas estradas que ligam as zonas produtoras do Centro-Oeste até a região. Conforme as regras estabelecidas pela Codesp em 2013, caminhões transportando a safra agrícola devem agendar com antecedência sua chegada a Santos. Se estiverem fora do prazo, eles ou seus terminais são advertidos e, depois, multados.

“Estamos realizando um intenso controle sobre a chegada das cargas e o cumprimento das regras de agendamento. São três centrais de monitoramento na Codesp e o pessoal da ANTT ainda está na estrada, informando sobre a passagem dos caminhões vindo para o Porto”, informou Luís Cláudio Santana Montenegro.

De acordo com o diretor, nas estradas entre o Centro-Oeste e Santos, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem cinco pontos fixos e cinco móveis de monitoramento. No total, 60 fiscais estão em campo. Atualmente, as informações dos caminhões são repassadas à Docas pelos próprios agentes. Mas a Autoridade Portuária pretende automatizar esse serviço até o final do ano. O processo licitatório para isso já foi iniciado.

Regras respeitadas

O terceiro motivo para o representante da Docas acreditar no sucesso do plano safra engloba a estrutura do Porto de Santos e o fato de, até agora, terminais e motoristas terem respeitado as regras de agendamento. As instalações de granéis vegetais do complexo marítimo têm capacidade para receber até 3 mil caminhões veículos de cargas por dia, de acordo com o diretor. No ano passado, quando não ocorreram problemas de congestionamento no escoamento da safra, o maior movimento diário foi de 2.300 caminhões, registrado em março.

“Os números mostram que Santos tem capacidade excedente (para receber caminhões). Mas temos de ficar atentos a qualquer concentração de veículos. O importante, sob qualquer situação, é mantermos o controle e a organização sobre a chegada dos caminhões. Não pode haver concentração na chegada das cargas”, destacou Montenegro.

Para evitar o caos e garantir a ordem, o diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp explica que é essencial acompanhar a vinda dos caminhões ao cais. “O raciocínio é simples. Quando o agendado não chega, quando recebo menos do que estava esperando, tenho o alerta. Isso é um problema, pois se o veículo não está no Porto na hora que deveria, ele pode chegar em um momento para o qual não estava programado. É quando começa a concentração e há o risco de filas”, explicou.

Nessas situações de atraso, a Codesp entra em contato com o terminal de destino do carregamento para saber o motivo de o agendamento não ter sido respeitado. E busca-se reorganizar sua vinda, de modo a não criar problemas na zona portuária, disse Montenegro.

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