Randon vai priorizar geração de caixa em 2015

O diretor vice-presidente de administração e finanças da Randon, Daniel Randon, reforçou ontem a estratégia do grupo de priorizar a geração de caixa livre positivo ao longo de 2015 para fazer frente ao cenário “volátil” da economia. De acordo com ele, os investimentos de R$ 120 milhões previstos no “guidance” divulgado no fim de março já são cerca de 30% menores do que o plano inicial, em outubro, e ainda podem reduzidos.

“A tendência é tentar puxar para baixo para gerar caixa livre”, afirmou o executivo, que fez palestra na Federação das Associações Comerciais do Estado (Federasul). Ele explicou que a intenção do grupo que produz implementos rodoviários, vagões ferroviários e autopeças é preservar a posição “confortável” de caixa e endividamento e ao mesmo tempo assegurar a remuneração aos acionistas.

Conforme Randon, investimentos que passaram a ser vistos como menos prioritários poderão ter cronogramas estendidos para preservar os projetos mais importantes. A previsão de inauguração da fábrica em Araraquara (SP) está mantida para 2016 porque ela será focada na produção de vagões ferroviários. A demanda segue forte no segmento e os custos para transportar os equipamentos de Caxias do Sul (RS), onde são produzidos hoje, para o centro do país são elevados, comentou.

Randon disse ainda que a queda de 27,9% na receita consolidada líquida do grupo no primeiro trimestre ante igual período de 2014, para R$ 696,8 milhões, foi “aceitável” diante do quadro atual. A controlada Frasle, fabricante de lonas e pastilhas de freios com forte exposição no mercado externo e no segmento de reposição, teve alta de 5,9%, para R$ 203,4 milhões, na mesma base de comparação.

Mesmo assim, o grupo mantém a projeção de receita líquida consolidada de R$ 3,2 bilhões para o acumulado de 2015. Segundo o executivo, ao contrário de 2014, quando o segundo semestre “foi muito melhor que o primeiro, a expectativa agora é que a segunda metade do ano seja melhor. Na opinião dele, a tendência é que até lá o “remédio amargo” do ajuste fiscal do governo e as reestruturações feitas pelas próprias indústrias já comecem a produzir efeitos positivos na economia.

Randon evitou comentar o desempenho de abril porque o grupo está em período de silêncio devido à divulgação dos resultados marcada para 13 de maio. De acordo com ele, os estoques de caminhões e semirreboques rodoviários seguem altos na ponta, mas já é possível vislumbrar um segundo trimestre “igual ou um pouco melhor” do que o primeiro.

Segundo o executivo, o grupo utilizou em abril e deve usar novamente em maio os cinco dias de redução de jornada previstos na negociação fechada com os funcionários para enfrentar a desaceleração da demanda. Ele não adiantou se a medida será replicada em junho, prazo limite do acordo que atinge quase 6 mil pessoas.

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