Primeiro monarca de um reino que há quase duas décadas lidera o agronegócio brasileiro, o empresário Olacyr de Moraes, que ficou conhecido como “rei da soja” nos anos 1980, morreu ontem em São Paulo, aos 84 anos, vitimado por um câncer no pâncreas.
Desbravador e controverso, tão famoso pela fazenda de mais de 100 mil hectares que mantinha em Diamantino (MT) quanto pelas belas e jovens mulheres que o acompanhavam, Olacyr colaborou diretamente para transformar a soja em uma estrela do campo aos olhos das metrópoles e ajudou a fomentar o plantio de algodão no Centro¬Oeste, onde também investiu em cana.
Apesar da alcunha que o tornou conhecido ¬ e que o acompanhou mesmo depois de perder a coroa para Blairo Maggi, que já foi governador de Mato Grosso e hoje é senador pelo Estado ¬, Olacyr começou a empreender em paragens distantes do campo.
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Nascido em Itápolis, no interior paulista, em 1931, mudou com a família para a capital de São Paulo aos oito anos e, segundo biografia disponível em sua página na internet, aos 14 começou a trabalhar como assistente do pai, que era vendedor de máquinas de costura.
Depois que o pai comprou uma transportadora, Olacyr e o irmão Odimir de Moraes foram pelo mesmo caminho e constituíram uma empresa de transporte de cargas, embrião do que em 1957 se transformaria na Constran. Da Constran vieram os recursos para investimentos no Banco Itamarati, e apenas em 1967 ocorreu seu primeiro aporte no agronegócio.
Foi quando o empresário e alguns parceiros criaram no norte de Mato Grosso a Orpeca, focada na criação e na engorda de boi. Em 1973 Olacyr fundou a Itamarati Agro Pecuária em Ponta Porã, hoje em Mato Grosso do Sul, que já contava com uma fazenda de 50 mil hectares. E em 1975 nasceu a Itamarati Norte, com seus 110 mil hectares localizados em Diamantino, em Mato Grosso.
No início dos anos 1990, Olacyr enfrentou problemas financeiros derivados de investimentos em usinas hidrelétricas na construção da ferrovia Ferronorte. Endividado, vendeu seu banco em 1996, mas depois ainda investiu em mineração.
A morte do empresário foi lamentada por diversas personalidades e entidades do agronegócio ontem. “Que sua capacidade produtiva, sua determinação e iniciativa, típicas de um Brasil realizador, volte a contagiar o país em benefício do nosso crescimento econômico”, afirmou, em nota de pesar, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu.
“Olacyr de Moraes foi precursor de um agronegócio em grande escala e estruturado de maneira empresarial. Perdemos um importante sócio e o Brasil, uma referência e um empreendedor determinado”, disse o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Gustavo Diniz Junqueira.
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